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Um ano de pontificado, um ano de confusão – Parte I



Por Alejandro Sosa Laprida
Tradução: Carlos Wolkartt – Renitência.com

Caros leitores,

Traduzimos na íntegra a magnífica análise que um autor de língua espanhola produziu sobre o primeiro ano de Francisco no governo da Igreja, da qual a primeira parte apresentamos a seguir. (Os links para as outras duas partes podem ser encontrados no final desta publicação.)

O texto integral, com esta nossa tradução, foi publicado na Revista Permanência nº 275 sob o título "O estranho pontificado do Papa Francisco".

Boa leitura!

* * *

O estranho pontificado do Papa Francisco. 02/02/14.

Como católico, é sumamente doloroso ver-me obrigado por minha consciência a emitir críticas ao papa. E a verdade é que seria muito bom se a situação da Igreja estivesse normal e eu não encontrasse, por conseguinte, nenhum motivo para formulá-las. Desafortunadamente, somos confrontados com o fato incontestável de que Francisco, em apenas um ano de pontificado, realizou incontáveis gestos atípicos e efetuou um sem-número de declarações cheias de novidades e por demais preocupantes. Os fatos em questão são tão abundantes que não é possível tratá-los todos no marco necessariamente restringido deste artigo. Ao mesmo tempo, não é tarefa simples limitar-se a escolher só alguns deles, já que todos são portadores de uma carga simbólica que os torna inauditos aos olhos do observador atento, indicando uma situação eclesial sem precedentes na história. Depois de árduas reflexões, retive cinco que me parecem ser os melhores indicadores da tonalidade geral que é possível observar neste novo pontificado.

Esses fatos se agrupam em cinco temas diferentes: o islã, o judaísmo, a laicidade, o homossexualismo e a maçonaria. Depois de havê-los expostos nessa ordem, na intenção de destacar em que medida são indicadores de uma inquietante anomalia no exercício do magistério e da pastoral eclesiais, apresentarei de maneira mais sucinta outra série de ditos e feitos que permitirão ilustrar ainda mais, se acaso fosse possível, a heterodoxia radical que resume os princípios e a práxis bergoglianos.

1. A questão do islã

Em 10 de julho de 2013, Francisco enviou aos muçulmanos de todo o mundo uma mensagem de felicitações pelo fim do ramadã. Devemos deixar claro que se trata de um gesto jamais produzido na Igreja Católica antes do Concílio Vaticano II. E devemos acrescentar que nenhum papa havia dirigido semelhantes saudações aos maometanos antes do pontificado de Francisco. A razão é muito simples, e certamente manifesta para qualquer católico que não perdeu completamente o sensus fidei: os atos das outras religiões carecem de valor sobrenatural e, objetivamente considerados, não podem senão privar os seus adeptos do único caminho de salvação: Nosso Senhor Jesus Cristo. Como não estremecer-se de espanto ao escutar Francisco dizer aos adoradores de “allah” que “somos chamados a respeitar a religião do outro, seus ensinamentos, seus símbolos e seus valores”? É impossível deixar de comprovar a distância intransponível que existe entre esta declaração e o que nos ensinam os Atos dos Apóstolos e as epístolas de São Paulo... Que se deva respeitar as pessoas que se encontram nos falsos cultos, isso não se discute, mas que se promova o respeito às falsas crenças que negam a Santíssima Trindade das Pessoas Divinas e a Encarnação do Verbo de Deus é algo insustentável do ponto de vista do magistério eclesiástico e da revelação divina. No entanto, é mister reconhecer que neste ponto não se pode atribuir a Francisco o título de inovador, já que não fez mais que continuar com a linha revolucionária introduzida pelo Concílio Vaticano II, o qual pretende, na declaração Nostra Aetate sobre a relação da Igreja com as religiões não cristãs (hinduísmo, budismo, islã e judaísmo), que “a Igreja Católica não rejeite nada do que é verdadeiro e santo nessas religiões. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas (...). Exorta os seus filhos a que (...) através do diálogo e da colaboração com os sequazes de outras religiões (...) reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores socioculturais que entre eles se encontram”. Palavras que provocam estupor, já que é algo manifestamente absurdo pretender que se deva “colaborar” com gente que trabalha ativamente para instaurar credos e muitas vezes costumes que são contrários aos do Evangelho. Como não ver nesse “diálogo” tão mentado uma profunda desnaturalização da única atitude evangélica, que é a de anunciar ao mundo a Boa Nova de Jesus Cristo, que nos disse claramente o que devemos fazer como discípulos: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt. 28, 18-20)? Esta noção de “diálogo” com as demais religiões carece de todo fundamento bíblico, patrístico e magisterial, e de fato não é mais que uma impostura tendente a desvirtuar o autêntico espírito missionário, que consiste em anunciar aos homens a salvação em Jesus Cristo, e de nenhuma maneira em um utópico “diálogo” entre interlocutores situados em pé de igualdade, enriquecendo-se reciprocamente e pretendendo buscar juntos a verdade. Essa pastoral conciliar inovadora fundada em um “diálogo” inscrito em um contexto de “legítimo pluralismo”, de “respeito” às falsas religiões e de “colaboração” com os infiéis não é mais que uma pérfida emboscada armada pelo inimigo do gênero humano para neutralizar a obra redentora da Igreja. A esse respeito, basta citar a única situação de autêntico “diálogo” que as Escrituras nos relatam, logo no início, a fim de alertar prévia e definitivamente sobre seu caráter intrinsecamente contaminado: trata-se do “diálogo” que Eva travou no jardim do Éden com a serpente, que haveria de desembocar na queda do gênero humano (cf. Gen. 3, 1-6). Poderíamos dar uma lista interminável de citações do Novo Testamento, dos Santos Padres e do magistério da Igreja para refutar a patranha segundo a qual os falsos cultos devem ser objeto de um “respeito sincero” às suas “maneiras de agir e viver, seus preceitos e suas doutrinas”, e para provar que, diferentemente das pessoas que os professam e que naturalmente devem ser objeto de nosso respeito, de nossa caridade e de nossa misericórdia, de nenhum modo as falsas doutrinas religiosas merecem “respeito”, que em ditas religiões não se encontra nenhum elemento de “santidade” e que os elementos de verdade que podem conter estão subordinados ao serviço do erro.

Deve-se reconhecer que Francisco é perfeitamente coerente em sua mensagem com o que o documento conciliar disse acerca dos muçulmanos, a saber, que “a Igreja olha também com estima para os muçulmanos, que adoram ao Deus único, vivo e subsistente, misericordioso e onipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração”. Pois bem, qualquer que seja a sinceridade dos maometanos na crença e na prática de sua religião, não por isso é menos falso sustentar que “adoram ao único Deus”, “que falou aos homens” e que “a cujos decretos procuram submeter-se de todo o coração”, pela simples razão de que “allah” não é o Deus verdadeiro, que Deus não falou aos homens através do Alcorão e que seus decretos não são os do islã. Trata-se de uma linguagem inédita na história da Igreja e que contradiz vinte séculos de magistério e de pastoral eclesiais. Essa prática heterodoxa conduziu aos múltiplos encontros inter-religiosos de Assis, onde se alentou aos membros dos diferentes cultos idolátricos a rezar às suas respectivas “divindades” para obter “a paz no mundo”. Falsa paz, naturalmente, uma vez que se persegue com injúrias o único Senhor da Paz e Redentor do gênero humano, assim como a sua Igreja, única Arca de Salvação. E esta noção enganosa de “diálogo” conduziu igualmente aos últimos pontífices a mesquitas, sinagogas e templos protestantes, nos quais, pelo gesto e pela palavra, deram destaque a esses falsos cultos e não hesitaram em denegrir publicamente à Igreja de Deus criticando a atitude “intolerante” da que Ela havia dado mostras no passado. Vejamos um exemplo recente desta nova mentalidade ecumênica malsã, sincretista e relativista, condenada solenemente por Pio XI em sua encíclica Mortalium Animos de 1928: em 19 de janeiro, por ocasião da Jornada mundial dos migrantes e refugiados, Francisco se dirigiu a uma centena de jovens refugiados em uma sala da paróquia do Sagrado Coração, em Roma, dizendo-lhes que é necessário compartilhar a experiência do sofrimento, para logo acrescentar: “que aqueles que são cristãos o façam com a Bíblia, e que aqueles que são muçulmanos o façam com o Alcorão. A fé que vossos pais vos inculcaram vos ajudará sempre a avançar”. Esta nova práxis conciliar é efetiva e plenamente escandalosa, por um duplo motivo: por um lado, mina a fé dos fiéis confrontados com essas falsas religiões valorizadas por seus pastores; por outro lado, compromete as possibilidades de conversão dos infiéis, que se veem confortados em seus erros precisamente por aqueles que deveriam ajudá-los a livrar-se deles anunciando-lhes a Boa Nova da salvação, recebida dAquele que dissera ser “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo. 14, 6).

2. A questão do judaísmo

A primeira carta oficial de Francisco, enviada no mesmo dia de sua eleição, foi dirigida ao grande rabino de Roma. Fato por demais surpreendente. A primeira carta de seu pontificado enviada aos judeus! Acaso esta decisão obedeceu a um imperativo evangelizador premente, a saber, uma proclamação inequívoca do Evangelho, destinada a curá-los de sua tremenda cegueira espiritual, um convite solene a que reconheçam por fim a Jesus de Nazaré como seu Messias e Salvador? Nada disso. Francisco evoca a “proteção do Altíssimo”, fórmula convencional e vazia de conteúdo, destinada a ocultar as divergências teológicas intransponíveis que separam a Igreja da Sinagoga, para que suas relações avancem “em um espírito de ajuda mútua e a serviço de um mundo cada vez mais em harmonia com a vontade de seu Criador”. Há duas perguntas que um leitor prevenido não pode deixar de formular. A primeira é: como conceber uma “ajuda mútua” com um inimigo que não tem senão um objetivo em mente, a saber, a aniquilação do cristianismo, e isto há quase dois mil anos? Em que cabeça pode caber o absurdo segundo o qual os judeus desejariam “ajudar” a Igreja, fundada segundo eles por um impostor, por um falso messias, o qual constitui o principal obstáculo ao advento do que eles aguardam, e a propósito do qual Nosso Senhor advertiu-lhes: “Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis” (Jo. 5, 43)? Terrível profecia que São Jerônimo comenta dizendo que “os judeus, tendo desprezado a verdade em pessoa, aceitarão a mentira aceitando o Anticristo” (Epist. 151, ad Algasiam, quest. II), e Santo Ambrósio que “isso mostra que os judeus, que não quiseram crer em Jesus Cristo, crerão no Anticristo” (in Psalmo XLIII).

Agora que o obstáculo político encarnado pela Cristandade foi suprimido pela onda revolucionária, assistimos à supressão progressiva do obstáculo religioso, a saber, o papado, contaminado há mais de cinquenta anos pelo vírus da modernidade revolucionária. Esse obstáculo à manifestação do “homem da iniquidade”, esse misterioso estorvo de que fala São Paulo (2 Tes. 2, 7), que retarda sua vinda e que não é outro que o poder espiritual romano, isto é, o papado, segundo a tradição exegética. Basta esse obstáculo ser removido para que o ímpio se manifeste (2 Tes. 2, 8). A penetração das ideias revolucionárias em Roma não é em absoluto uma questão de fantasias conspiradoras nem o resultado de uma imaginação desbocada: os que trabalharam ativamente para realizar o aggiornamento da Igreja, isto é, com vista à sua adaptação ao mundo moderno – o objetivo principal do Concílio Vaticano II, sua “linha geral” (Paulo VI, Ecclesiam Suam, 1964, nº 52) – não têm escrúpulo em admiti-lo. Assim o cardeal Suenens não mediu palavras: “O Vaticano II, é o 1789 na Igreja” (citado por Mons. Lefebvre, Ils l’ont découronné, Clóvis, 2009, p. 10). Essas são palavras de quem fora uma das figuras mais relevantes do último concílio e um dos quatro moderadores nomeados por Paulo VI. O padre Yves Congar O.P., nomeado por João XXIII, em 1960, consultor da Comissão Teológica Preparatória, e logo depois, em 1962, perito oficial no concílio, no qual fora também membro da citada Comissão Teológica, foi sem dúvida alguma o teólogo mais influente da assembleia conciliar, ao lado do jesuíta Karl Rahner. O famoso dominicano declarou, referindo-se à colegialidade episcopal, que no Concílio “a Igreja efetuou pacificamente sua Revolução de Outubro” (Vatican II. Le concile au jour le jour, deuxième session, Cerf, p. 115), reconheceu que a declaração Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa disse “materialmente outra coisa que o Syllabus de 1864, até aproximadamente o contrário” (La crise dans l’Eglise et Mgr. Lefebvre, Cerf, 1976, p. 51) e admitiu que esse texto, no qual havia trabalhado, “procurava mostrar que o tema da liberdade religiosa estava presente na Escritura. Porém não o estava” (Eric Vatré, La droite du Père, Guy Trédaniel Editeur, 1995, p. 118). E segundo o cardeal Ratzinger, “o problema do Concílio foi o de assimilar os melhores valores de dois séculos de cultura liberal. São valores que, embora surgidos fora da Igreja, podem encontrar um lugar – purificados e corrigidos – em sua visão do mundo e isso é o que sucedeu” (Jesus, nov. 1984, p. 72). Este mesmo cardeal não hesitou em afirmar, em relação à constituição pastoral Gaudium et Spes sobre as relações da Igreja com o mundo moderno, que se pode considerar esse texto como um “anti-Syllabus, na medida em que representa uma tentativa de oficialmente reconciliar a Igreja com o mundo tal como ele se tornou depois de 1789” (Les principes de la théologie catholique, Téqui, 1987, p. 427).

A segunda pergunta que surge acerca da carta enviada por Francisco ao grande rabino de Roma é a seguinte: como imaginar que uma falsa religião (o judaísmo talmúdico, corrupção do judaísmo veterotestamentário), estruturada na rejeição, condenação e ódio de Jesus Cristo, possa estar “a serviço de um mundo cada vez mais em harmonia com a vontade de seu Criador”? Tamanho absurdo dispensa comentários... Mas se encontra naturalmente em perfeita consonância com a modificação da oração pelos judeus da Sexta-feira Santa, que João XXIII se apressou em efetuar em março de 1959, apenas quatro meses depois de sua eleição, suprimindo os termos “perfidis” e “perfidiam” aplicados aos judeus, e que seria depois suprimida definitivamente do novo missal aprovado por Paulo VI em abril de 1969 e promulgado em 1970. Eis aqui a nova oração nele contida: “Oremos pelos judeus, aos quais o Senhor nosso Deus falou em primeiro lugar, a fim de que cresçam na fidelidade de sua Aliança e no amor do seu Nome”. Oração que, a propósito, merece algumas observações:

1. Não se menciona a necessidade da conversão dos judeus a Jesus Cristo.

2. O termo “aliança” insinua que a “antiga” ainda estaria em vigor.

3. Todo “progresso” no amor de alguém implica um amor já presente; pois bem, como poderiam “progredir” no amor do Pai se negam o Filho?

4. E como poderiam “progredir” na “fidelidade de sua Aliança” se persistem em rejeitar a Jesus Cristo, sacerdote perfeito e cordeiro sem mancha, que selou uma Nova Aliança entre Deus e os homens ao imolar-se na Cruz?

A conclusão é evidente: encontramo-nos diante de uma nova teologia que marca uma ruptura profunda com a que teve curso na Igreja desde suas origens até o Vaticano II e que a antiga oração pela conversão dos judeus, eliminada da liturgia latina, expressava de maneira luminosa: “Oremos pelos incrédulos judeus (perfidis judaeis), para que Deus Nosso Senhor lhes tire o véu dos corações, a fim de que também eles reconheçam a Nosso Senhor Jesus Cristo (...). Deus onipotente e eterno, que nem mesmo à incredulidade dos judeus excluís da vossa misericórdia, ouvi as preces que por este povo obcecado vos dirigimos, a fim de que reconheçam a luz da vossa verdade, que é Cristo, e seja arrancado das trevas em que vive”. O contraste com a nova oração é espantoso, tanto como o é com o discurso de João Paulo II na sinagoga de Roma em abril de 1986, no qual louvava a “legítima pluralidade religiosa” e afirmava que é preciso esforçar-se em “suprimir toda forma de preconceito (...) a fim de apresentar a verdadeira face dos judeus e do judaísmo”. “Preconceito” que a antiga oração da Sexta-feira Santa expressava de maneira cabal, o que certamente explica seu desaparecimento da nova liturgia... Mas não se pode negar que isto seja um grande problema, pois segundo reza o célebre adágio do século V atribuído ao papa São Celestino I: lex orandi, lex credendi – a lei da oração determina a lei da crença, ou seja, modificando o conteúdo da oração, pode modificar-se também o conteúdo da Fé. E o que aconteceu no século XVI como resultado das inovações litúrgicas de Lutero na Alemanha e de Cranmer na Inglaterra já é suficiente para demonstrá-lo.

Infelizmente, o episódio da carta enviada por Francisco ao rabino de Roma no dia de sua eleição não foi o único. Com efeito, doze dias mais tarde, Francisco reincidiu enviando uma segunda carta ao rabino, desta vez por ocasião da páscoa judaica, dirigindo-lhe suas “felicitações mais fervorosas pela grande festa de Pessach”. Aqui surge uma pergunta inevitável: a partir de uma perspectiva católica, qual pode ser a natureza dessas “felicitações” por ocasião de uma celebração na qual Jesus Cristo é ultrajado, Ele que é o único e verdadeiro Cordeiro Pascal imolado na Cruz em redenção de nossos pecados? Tais “felicitações” só servem para confortar os judeus em sua cegueira espiritual e, portanto, mantê-los longe de seu Messias e Salvador, o que é no mínimo paradoxal vindo de um soberano pontífice... Que prossegue dizendo: “Que o Onipotente, que libertou seu povo da escravidão do Egito para guiá-lo à Terra prometida, continue a libertá-lo de todo o mal e a acompanhá-lo com sua benção”. Palavras extremamente embaraçosas, dado que manifestamente Deus não os libertou ainda de todo mal, uma vez que não existe mal maior que o de ser considerados “inimigos do Evangelho” (Rom. 11, 28) e fazer parte da “Sinagoga de Satanás” (Ap. 3, 9). Como conceber que Deus possa continuar “acompanhando-lhes com sua bênção” quando eles continuam rejeitando com obstinação Aquele que Ele enviou? Quero salientar aqui, para evitar qualquer tipo de mal-entendido, que de nenhum modo ataco os judeus de maneira pessoal, já que não me cabem dúvidas de que são excelentes pessoas e que professam suas crenças com toda boa fé. Ao referir-me aos judeus, entendo situar-me no plano dos princípios teológicos, o único que é pertinente a esta questão. E nesse terreno se verifica uma inimizade irredutível entre a Igreja, que busca estabelecer o reino de Jesus Cristo na sociedade, e o judaísmo talmúdico, o qual, havendo-se estruturado em oposição a Jesus Cristo e à Igreja, busca obstaculizar sua missão evangelizadora, em total coerência com sua teologia, que não lhe permite ver em Jesus de Nazaré mais que a um impostor e a um blasfemador, a um falso messias que impede a vinda do verdadeiro, que eles aguardam ansiosamente com o objetivo de restaurar o reino de Israel e de governar as nações desde Jerusalém transformada na capital de seu reino messiânico mundial. Portanto, não se trata em absoluto de “racismo” nem de um pretendido “antissemitismo” conceitualmente absurdo – segundo o velho refrão que não cessam de entoar quando alguém se atreve a abordar o tema, em uníssona e alta voz, os formadores de opinião mediáticos, autêntica polícia ideológica do sistema mundial, para desviar a atenção do verdadeiro problema quem planteia o judaísmo talmúdico e sionista, cuja índole é estritamente teológica, embora dele surjam necessariamente consequências políticas, econômicas e culturais.

Com este esclarecimento, voltemos à carta de Francisco, que conclui dizendo: “Peço que rezem por mim, enquanto eu asseguro minha oração a vocês, confiando na possibilidade de poder aprofundar os laços de estima e de amizade recíproca”. Somos forçados a constatar que aqui chegamos ao cume no âmbito do absurdo. Com efeito, como é possível imaginar que a oração dos que estão, segundo São João, sob o império de Satanás, poderia ser atendida por Deus? E em boa lógica, se os judeus aceitassem rezar pelo papa – coisa inimaginável, considerando que a missão daqueles se opõe diametralmente à deste – se veriam obrigados a pedir sua apostasia do Cristianismo e sua conversão ao judaísmo. Ou seja, Francisco implicitamente estaria pedindo-lhes nada menos que rezassem para que ele pudesse rejeitar Nosso Senhor Jesus Cristo, tal como eles o fazem! Na realidade, se esta questão não revestisse uma gravidade inaudita, estaríamos diante de uma gague desopilante por suas incongruentes e grotescas implicações. E isto sem mencionar os laços de “amizade recíproca” que Francisco evoca na conclusão de sua mensagem, já que a incoerência desta expressão não é menos flagrante que a da anterior.

Expliquemo-nos: um amigo é um alter ego, um outro eu, de onde decorre que a verdadeira amizade não é viável se os amigos não possuem uma correspondência de pensamentos, de sentimentos e de objetivos que torne possível a comunhão das almas. Pois bem, os pensamentos e a ação da Igreja e da Sinagoga são, como já dissemos, diametralmente opostos; seus projetos são incompatíveis, a oposição que existe entre elas é radical, de sorte que, enquanto os judeus insistirem em não aceitar Cristo como o seu Messias e Salvador, a inimizade entre ambas permanecerá irredutível, por razões teológicas evidentes, do mesmo modo que o são a luz e as trevas, Deus e Satanás, Cristo e o Anticristo... Com este tipo de desejos pisamos no solo do terreno da utopia, do sentimentalismo humanista, da negação da realidade e, sobretudo, na falsificação da linguagem e na perversão dos conceitos: encontramo-nos plenamente na esfera da ilusão, da manipulação intelectual e da mentira. Mentira da qual sabemos seguramente quem é o pai...

Monsenhor Jorge Mario Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires e cardeal primaz da Argentina, tinha já o mui peculiar costume de acudir regularmente a sinagogas para participar em encontros ecumênicos, o último dos quais remonta ao dia 12 de dezembro de 2012, apenas três meses antes de sua eleição pontifical, por ocasião da celebração de Hanukkah, a festa das luzes, na qual se acende a cada noite uma vela em um candelabro de nove braços durante oito dias consecutivos; liturgia cujo significado é, do ponto de vista espiritual, a expansão do culto judaico. O cardeal Bergoglio participou ativamente na cerimônia do quinto dia, acendendo a vela correspondente. Não é preciso dizer que evento semelhante jamais se produziu na história da Igreja. E que constitui um fato altamente perturbador, embora não pareça ser menos inquietante o fato de que este tipo de gestos escandalosos passe completamente despercebido pela imensa maioria dos católicos, profundamente letárgica, imbuída até a alma do pensamento revolucionário que causa danos à Fé e debilita o sensus fidei dos fiéis, compenetrados da ideologia pluralista, humanista, ecumênica, democrática e direito-humanista que seus pastores lhes inculcam sem cessar há mais de meio século, ideologia que é totalmente estranha ao depósito da Revelação e que se tornou o leitmotiv dos discursos oficiais da hierarquia eclesiástica desde o Vaticano II.

Para concluir este aparato, eis aqui um pequeno extrato do que Bergoglio dizia aos judeus em outra sinagoga de Buenos Aires, Bnei Tikva Slijot, em setembro de 2007, durante sua participação na cerimônia de Rosh Hashanah, o ano novo hebreu: “Hoje, aqui nesta sinagoga, tomamos novamente consciência de ser povo a caminho e nos colocamos na presença de Deus. Paramos em nosso caminho para olhá-lo e nos deixarmos olhar por Ele”. Que interpretação pode ser atribuída ao “nós” empregado por Bergoglio? Que realidade quisera designar utilizando a palavra “Deus”? Em todo caso, dado o contexto, não poderia designar a Deus Pai, pois senão seria óbvio que os judeus não rejeitariam o Filho. Com efeito, Nosso Senhor lhes disse: “Se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí e vim de Deus (...). Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai (...). Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus” (Jo. 8, 42-47). Feito ainda mais surpreendente, durante seu extenso discurso pronunciado nessa sinagoga da capital argentina, quem na época não era “senão” Monsenhor Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires e cardeal primaz da Argentina, não se dignou a pronunciar nem sequer uma vez o Santo Nome de Jesus...

3. Francisco e a laicidade do Estado

Em primeiro lugar, é mister ter presente em que consiste o chamado princípio de laicidade: trata-se da pedra angular do pensamento iluminista, pela qual Deus é excluído da esfera pública e o Estado é emancipado da revelação divina e do magistério eclesiástico no exercício de suas funções, estando assim habilitado para atuar de maneira totalitária, ao negar-se a admitir toda instância moral superior capaz de esclarecê-lo intelectualmente e de orientá-lo moralmente em sua ação, seja tratando-se da lei natural, da lei divina ou da lei eclesiástica. O Estado moderno se concebe a si mesmo como absolutamente desligado de qualquer tipo de transcendência espiritual ou ética à qual submeter-se a fim de estabelecer e conservar sua legitimidade. Deste modo, o Estado liberal não reconhece outra legitimidade que não seja a emanada da vontade geral, que se funda unicamente na lei positiva que os homens se dão a si mesmos. A separação Igreja-Estado é o resultado lógico deste princípio, pelo qual se exonera a sociedade politicamente organizada de render a Deus o culto público que lhe é devido, de respeitar a lei divina em sua legislação e de submeter-se ao ensinamento da Igreja em matéria de fé e moral. Esta suposta independência do poder temporal em relação ao poder espiritual não deve confundir-se com a legítima autonomia da qual a sociedade civil goza em relação à autoridade religiosa em seu próprio âmbito de ação, isto é, na busca do bem comum temporal, o qual por sua vez está ordenado à busca do bem comum sobrenatural, a saber, a salvação das almas. Esta é a doutrina tradicional da distinção dos poderes espiritual e temporal, e da subordinação indireta deste em relação àquele. A laicidade viola a ordem natural existente entre ambos os poderes e erige o Estado em poder absoluto, transformando-o assim em uma maquinaria de guerra com o objetivo de descristianizar as instituições, as leis e a sociedade em seu conjunto. O grande artesão da pretendida neutralidade religiosa do Estado é a franco-maçonaria, inimigo jurado da civilização cristã. Dita neutralidade não é mais que uma fraude, dado que o poder temporal é incapaz de prescindir de uma instância espiritual de ordem superior que lhe forneça os princípios morais que regram sua atividade. O Estado laico não é neutro senão em aparência, uma vez que recebe seus princípios orientadores em matéria espiritual e moral dessa contra Igreja que é a franco-maçonaria: “A laicidade é a pedra preciosa da liberdade. A pedra pertence a nós, maçons. Recebemo-la em estado bruto; esculpimo-la progressivamente e nos é preciosa porque nos servirá para edificar o templo ideal, o futuro deleitoso do homem, de quem desejamos que ela seja o único senhor” (La laïcité: 1905-2005, Edimaf, 2005, p. 117, publicado pelo Grande Oriente de França em comemoração do centenário da lei de separação Igreja-Estado de 1905).

Tendo feito este lembrete básico, sem o qual se pode perder de vista as implicações cruciais associadas a este assunto, examinemos a posição de Francisco a este respeito. Em um discurso dirigido à classe dirigente brasileira em 27 de julho, durante o transcurso das Jornadas Mundiais da Juventude, celebradas no Rio de Janeiro, Francisco fez um elogio entusiasta da laicidade e do pluralismo religioso, a ponto de regozijar-se pela função social desempenhada pelas “grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia”, para continua dizendo que “a laicidade do Estado (...) sem assumir como própria nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade”. Laicismo, pluralismo, ecumenismo, relativismo religioso, democratismo: o número e a grandeza dos erros contidos nessas poucas palavras, condenados formalmente e em múltiplas ocasiões pelo magistério, requereria uma prolongada exposição que excederia amplamente os limites deste artigo. Para aqueles que queiram aprofundar-se na doutrina católica sobre o assunto, eis aqui os documentos essenciais: Mirari Vos (Gregório XVI, 1832); Quanta Cura, com o Syllabus (Pio IX, 1864); Immortale Dei e Libertas (Leão XIII, 1885 e 1888); Vehementer Nos e Notre Charge Apostolique (São Pio X, 1906 e 1910); Ubi Arcano e Quas Primas (Pio XI, 1922 e 1925); Ci Riesce (Pio XII, 1953).

Leiamos, à guisa de exemplo, uma passagem da encíclica Quas Primas, pela qual Pio XI instituiu a solenidade de Cristo Rei: “Com a celebração ânua desta festa hão de relembrar-se, outrossim, os Estados que aos governos e à magistratura incumbe a obrigação, bem assim como aos particulares, de prestar culto público a Cristo e sujeitar-se às suas leis. Lembrar-se-ão também os chefes da sociedade civil do juízo final, quando Cristo acusará aos que o expulsaram da vida pública, e a quantos, com desdém, o desprezaram ou desconheceram; de tamanha afronta há de tomar o Supremo Juiz a mais terrível vingança; seu poder real, com efeito, exige que o Estado se reja totalmente pelos mandamentos de Deus e os princípios cristãos, quer se trate de fazer leis, ou de administrar a justiça, quer da educação intelectual e moral da juventude, que deve respeitar a sã doutrina e a pureza dos costumes”. A leitura desse texto do magistério permite compreender que o Estado laico – supostamente neutro, não confessional, incompetente em matéria religiosa e outras falácias do gênero – não é mais que uma aberração filosófica, moral e jurídica moderna, uma monstruosidade política, uma mentira ideológica que pisoteia a lei divina e a ordem natural. A distinção, sem separação, dos poderes temporal e espiritual é algo muito diferente da pretendida independência do temporal em relação ao espiritual, em relação a Deus, à Igreja, à lei divina e à lei natural: isso tem nome, e se chama a apostasia das nações. Esta apostasia é o fruto maduro do Iluminismo, da franco-maçonaria, da Revolução Francesa e de todas as seitas infernais que dela procedem (liberalismo, socialismo, comunismo, anarquismo etc.). Esses são os inimigos implacáveis de Deus e de sua Igreja, que alcançaram seu diabólico objetivo de destruir inteiramente a sociedade cristã e de erigir em seu lugar a cidade do homem sem Deus, criatura insensata embriagada pela falaz autonomia da qual pretende gozar em relação a Deus: nele [no homem sem Deus] reside o aspecto essencial do que tem sido chamado de modernidade, apesar de seus rostos variados e multiformes, cujo desenlace, por fim, não pode ser outro que o do reino do Anticristo. Esta figura escatológica do homem ímpio conduzirá inelutavelmente a sociedade moderna, secularizada e apóstata, ao paroxismo de sua revolta contra tudo que se encontra acima de sua própria vontade autônoma e soberana, da qual já nos oferece as aziagas primícias: pensemos – para citar um punhado de exemplos representativos – nessas aberrações inimagináveis que são o matrimônio homossexual, a adoção homoparental, o direito ao aborto, a legalização da indústria pornográfica, a escola sem Deus mas com ideologia de gênero e educação sexual obrigatórias para corromper a infância e macular a inocência das pequenas almas... Personificação aterradora da criatura que entende fazer de sua liberdade, considerada como absoluta, a única fonte da lei e da moral; criatura imbuída de sua vacuidade ontológica e enceguecida por sua arrogância irrisória que pretende assombrosamente ocupar o lugar de Deus. Reitero que é nesta pretensão insensata da criatura de prescindir de seu Criador que radica a característica definidora da modernidade; é ela que constitui a raiz do mal moderno, desvario metafísico que se manifesta com uma atitude de redobramento do indivíduo sobre sua própria subjetividade, acompanhada pela rejeição categórica de uma ordem objetiva da qual deveria reconhecer duplamente a anterioridade cronológica e a superioridade ontológica, e à qual está chamado a submeter-se livremente para realizar plenamente sua humanidade. Esta atitude moderna se declina em múltiplas facetas: nominalismo, voluntarismo, subjetivismo, individualismo, humanismo, racionalismo, naturalismo, protestantismo, liberalismo, relativismo, utopismo, socialismo, feminismo, homossexualismo – das quais a raiz é sempre a mesma, a saber, o sujeito autônomo pretendendo emancipar-se da ordem objetiva das coisas e cujo desenlace trágico e inevitável é o projeto insano que tem como objetivo criar uma civilização que, depois de haver expulsado Deus da sociedade, se funde exclusivamente no livre arbítrio soberano do homem, convertido na fonte de toda legitimidade. E hoje, mais do que nunca, torna-se indispensável proclamá-lo aos quatro ventos: o princípio de laicidade constitui sua mais acabada encarnação e é sua figura emblemática: “No dia em que comerdes (do fruto proibido) se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal” (Gn. 3, 5) – sugeriu a serpente a Eva, quem, dando mostra de uma grande abertura mental e de uma sincera adesão ao pluralismo religioso, se adentrou com maturidade e confiança em um diálogo mutuamente enriquecedor com seu respeitável interlocutor... O desenlace é bem conhecido e certamente fatal para a humanidade: Adão e Eva terminaram comendo, encontraram-se desnudos, foram castigados por Deus e expulsos do Paraíso. As velhas nações europeias que conformavam a Cristandade também comeram do fruto, desta vez chamado Direitos Humanos, Democracia e Laicidade. E agora encontram-se desnudas. Quanto ao castigo, inelutavelmente, acabará chegando, cedo ou tarde: “Vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia (...). Foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação” (Ap. 13, 1/7). Mas o Anticristo, “o homem ímpio, o filho da perdição” (2 Tes. 2, 3) não chegará sozinho: será precedido por um falso profeta, paródia diabólica do papel precursor que outrora exercera São João Batista dispondo os corações para a chegada iminente do Messias: “E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão” (Ap. 13, 11). As duas bestas, a do mar e a da terra, o Anticristo e o Falso Profeta, são indissociáveis, do mesmo modo que o são o poder temporal e o poder espiritual na sociedade. Em regime cristão, os dois poderes cooperavam a fim de fazer respeitar a lei divina na sociedade. Mas, no caso que nos ocupa, os dois poderes mudaram de sentido e se dedicaram ao serviço de Satanás, a segunda besta – o poder religioso prevaricador – abrindo o caminho à primeira e induzindo os homens a que se lhe submetam: “E fazia a terra e seus habitantes adorarem a primeira besta” (Ap. 13, 12). A primeira besta representa o poder temporal apóstata, o do regime democrático laico e secularizado, inimigo de Deus, poder mundano que um dia será ostentado por uma pessoa concreta, o Anticristo. A segunda besta, por sua parte, representa o poder religioso corrompido, à cabeça do qual se encontrará também um dia uma pessoa concreta, o falso profeta ou Anticristo religioso. Quão longe se encontra a época em que veremos desdobrar-se diante de nossos olhos atônitos o cumprimento destas profecias? Não é fácil ter certezas de ordem prática neste terreno, nem, portanto, dar uma resposta categórica. No entanto, não é arriscado sustentar que quando o novo papa louva apaixonadamente a laicidade do Estado, seguindo nisto o exemplo de seus predecessores e conformando-se ao magistério pós-conciliar, a necessidade de escutar as profecias que acabamos de expor cobra uma urgência manifesta.

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Um ano de pontificado, um ano de confusão – Parte I Reviewed by Renitência on sexta-feira, março 28, 2014 Rating: 5
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