Top Ad unit 728 × 90

Últimas publicações

recent

A mudança climática como doutrina da Igreja

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

A mudança climática (primeiro foi o aquecimento global, lembram? Mas depois de vários anos de geadas, passou-se à mais genérica mudança climática) é um dos dogmas mais intocáveis no discurso dominante do politicamente correto. Que o clima muda, não é nenhuma novidade: isso sempre aconteceu. A novidade é atribuir esta mudança exclusivamente às ações do ser humano e proclamar o dever de corrigir nosso comportamento para evitá-la. O único problema é que o suposto «consenso científico» não existe, e sempre há cada vez mais dados e cientistas que advertem de que as coisas não são tão simples.

Não obstante, por trás da mudança climática há algo mais, algo que supera o mero debate científico. Se não fosse assim, não haveria como entender as paixões que suscita, as excomunhões fulminantes que provoca contra todos que se atrevem a duvidar dos bordões catastróficos e freqüentemente demasiado anti-humanos de personagens como o Al Gore e seu coro de fãs malthusianos. Em um mundo relativista, a mudança climática se apresenta como um dogma intocável.

A Igreja, por sua parte, sempre recordou que a Criação é um dom de Deus ao homem e que, conseqüentemente, este deve servir-se dela, cuidá-la e entregá-la a seus filhos nas melhores condições possíveis. As pressões para que a Igreja católica adapte seu discurso às máximas politicamente corretas têm sido fortes, mas até agora sem êxito: na encíclica «Caritas in Veritate», de Bento XVI, não se recorre ao conceito de «desenvolvimento sustentável», e sim ao de «desenvolvimento humano integral», que, para o incômodo dos ideólogos da «mudança climática», mantém o homem no centro da Criação e não o reduz a um fator a mais da vida do planeta.

Duas recentes intervenções dos cardeais Parolin, na ONU, e Maradiaga, na Cúpula das religiões sobre o clima, parecem indicar que alguns setores na Igreja querem dobrar-se ao discurso dominante em matéria climática. A revista Science, comentando um congresso organizado pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais, pôde escrever que a Igreja, por fim, havia abraçado o conceito malthusiano de sustentabilidade.

Mas isso não é nada novo: há muitos anos que alguns bispos (sobretudo na França e na Alemanha) e ONGs católicas promovem a inclusão do conceito de «desenvolvimento sustentável» na doutrina social da Igreja. O problema, repetimos, é que este conceito, relativamente novo (aparece no Relatório Brundtland, Our Common Future, de 1987), considera que o mundo está superpovoado e que consumimos muito mais recursos do que a natureza pode oferecer-nos. Para evitar as catástrofes que disso se derivam, seria indispensável o controle mundial da população.

O cardeal Parolin baseou sua intervenção na ONU na definição do dogma da mudança climática antropogênica, isto é, causada pelos homens, entre os quais, disse, não existe consenso científico. Esta afirmação lhe valeu o sorriso e os tapinhas nas costas da parte dos organizadores do ato. A verdade é que não há consenso científico. De fato, dezenas de milhares de cientistas (que entre eles têm, por sua vez, discrepâncias) denunciam a histeria da ideologia do aquecimento global e demonstram seu apoio ao «Global Warming Petition Project». E pelo fato de que as verdades científicas não dependem do número de cientistas que as sustentam, a admissão dessa postura como própria da Igreja católica é uma mostra de imprudência e hipoteca a credibilidade da Igreja em um assunto que não é de sua incumbência direta.

Mais problemáticas ainda são as palavras do cardeal Maradiaga, que sustenta que «as mudanças climáticas são o principal obstáculo à erradicação da pobreza». Científica e economicamente inconsistente, esta teoria responsabiliza as indústrias emissoras de CO2 pela desnutrição nos países pobres, por exemplo. Conheço Honduras e os seus problemas — a terra natal do cardeal Maradiaga —, e lhes asseguro que quando alguns amigos me falaram do problema do narcotráfico, da corrupção, do fracasso escolar etc., e eu lhes respondi que tudo isso é o de menos, que o problema que o país tem, no fundo, é a mudança climática e que eles deixariam a pobreza para trás se não tivessem que se submeter aos países de primeiro mundo que mudam sua tecnologia de produção ou cobram taxas em troca de direitos de emissão de gases, me chamaram de tolo, ou — como me conhecem — pensaram que eu estava contando uma piada.

Mais uma vez, não parece o mais adequado nem prudente que a Igreja tome parte numa discussão cientifica que não lhe compete. Isso não significa que a Igreja não tenha nada a dizer. William Patenaude, que trabalha como regulador climático e é moderadamente favorável à teoria de que a mudança climática antropogênica é real, propõe no The Catholic World Report algumas idéias, como, por exemplo, a de que a reflexão ecológia deve referir-se à lei natural: «O papel da Igreja no mundo não é ser como o mundo, nem sequer ser apreciada por ele, mas penetrá-lo e elevá-lo». Nada mais do que sempre proclamou o Evangelho. Claro que, falando assim, talvez não recebamos tantos sorrisos e tapinhas nas costas... 
A mudança climática como doutrina da Igreja Reviewed by Editor on terça-feira, setembro 30, 2014 Rating: 5
Todos os direitos reservados — Renitência © 2013—2018
Hospedado no Blogger. Desenvolvido por Sweetheme.

Entre em contato conosco

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.