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Viva o Divórcio!


Por Maria Helena Alves Pinto Fraga

Nota de Renitência.com: o texto a seguir foi publicado na Revista Permanência em 1977, ano da instituição oficial do divórcio no Brasil.

Explodiu a bomba do divórcio num país que se diz ou que é considerado “o maior país católico do mundo”. Não fomos bastante fortes, nem na fé nem na inteligência, para superar o complexo de inferioridade de que sofremos comparando-nos a países ditos “desenvolvidos”, e que de fato o são sob certos aspectos, mas que sob outros apresentam, de longa data, sinais de senilidade e decadência. Em nossa carne jovem e certamente símbolo de esperança, marcamos com o ferrete da destruição a mais natural das instituições, a sagrada pedra angular de uma sociedade com condições de verdadeiro progresso e evolução harmoniosa. Mexemos na família e vamos pagar por isto. Dizem por aí, com o humor que não poupa os mais sérios assuntos, que o divórcio é muito bom para a família porque destrói uma mas constrói duas... Talvez seja; só que destrói uma família de fato e constrói duas de mentirinha. Sem ser profeta anuncio, desde já, as próximas reivindicações do “progresso”: o direito de matar a criança, o doente e o velho, a lei do aborto sob pretextos e da eutanásia sob pretextos. E é para já! Porque pau-de-sebo escorrega e o fim da linha é mesmo o chão.

No mundo de hoje, dominado pelo cientificismo e pelo número, é estranho e negramente engraçado que os defensores do divórcio não se tenham dado ao trabalho de consultar a expressiva literatura que revela a experiência dos “países desenvolvidos” já useiros e vezeiros na matéria. Não acreditaram nem na experiência e muito menos nas estatísticas. Recusaram a matemática, o ídolo “número” e não viram, não procuraram ou silenciaram tudo o que ele revela em matéria de destruição das famílias, do casamento, da mulher, do jovem, dos filhos e conseqüentemente do enfraquecimento da sociedade em que vivem e da qual são parte.

É verdade que o mundo de hoje só raciocina em termos personalistas, individualistas, nominalistas, e essa é uma praga que nos vem roendo de muito tempo para cá, com anestesia e com apelidos diferentes, bonitos, chamativos, como “amor”, “direitos humanos”, “realização pessoal”, etc. etc., quando no fundo o olho vivo que espreita é o do egoísmo, da prevalência do mais forte sobre o mais fraco segundo a velha lei do jângal, das falsas realizações pessoais construídas sobre as ruínas dos que não se podem defender, como os filhos dentro dos casamentos infelizes.

O casamento infeliz não é uma fatalidade, como querem fazer crer. Geralmente é uma obra realizada a quatro mãos, obra de desamor ou despreparo. A duas mãos por vezes, admitamos, mas sempre realizada sob o signo da vontade de um ou dos dois cônjuges. Fora disto, é a exceção. A convivência conjugal, quando não presidida pela firme convicção de que o amor tem que ser cultivado para sobreviver e crescer dentro do casamento indissolúvel e que é preciso fazer muita força para ser feliz, torna-se insustentável em conseqüência das fraquezas humanas irredutíveis e permanentes. O olho na “porta aberta” é fatal... Há, também, uma diferença abismal entre o bem sonhado e o possível, e a sabedoria consiste em transpor este abismo sem abrir mão do sonho valorizando o possível. Felicidade de contos de fada não existe.

Há casamentos que, a curto ou longo prazos, tornam-se insuportáveis apesar dos esforços de uma das partes ou por causa do despreparo das duas partes. São minoria. Pensar solucioná-los no papel, através de uma Lei Positiva que contraria a Lei Natural, é desconhecer a natureza humana e incentivar a generalização do erro. Os casamentos malsucedidos tornam-se (como o provam as estatísticas) cada vez mais numerosos, por motivos mais superficiais e irrelevantes.

O casamento indissolúvel foi e é defendido por homens sem religião, por juristas da estatura de um Clóvis Beviláqua e de um Ruy Barbosa. Por quê? Porque estes homens, com a agudez de suas inteligências, viram as conseqüências sociais e políticas de uma família instável acobertadas pela falsa “compreensão” e pela farisaica bondade dos que pretendem resolver casos particulares, casos de amizade ou de família em prejuízo do bem comum e até da segurança nacional, que dependem de homens bem formados, seguros, capazes de atitudes nobres e desprendidas. Em termos de casamento, a lei do divórcio mergulhou-nos num país de anões, de liliputianos espirituais e afetivos.

Tristes e alarmantes são as estatísticas do que acontece à sociedade quando a família torna-se legalmente instável, ao sabor dos desencontros afetivos. É uma natimorta, sem responsabilidade e sem grandeza. Suas leis são o comodismo e a mediocridade, ambas rejeitadas pelo verdadeiro amor. Os que se amam sentem necessidade de jurar amor eterno. Ninguém inventou essa história e o divórcio, de saída, tira do amor que une um casal a sua própria essência: o desejo e o propósito de perenidade. Noivos que admitem o divórcio não devem casar-se.

Pobres mulheres! Foram as mais animadas e as mais ridiculamente entusiasmadas com a subida da guilhotina. Será que nem desconfiam serem as segundas colocadas na fila da degola? Porque o primeiro lugar é reservado aos filhos, como fartamente afirmam os psicólogos, psiquiatras, sociólogos e analistas do mundo inteiro. Os divãs ficarão mais cheios e mais irremediavelmente dolorosos. As mulheres abandonadas se multiplicarão, e — isto as estatísticas o demonstram — numa faixa de idade em que, segundo uma triste brincadeira, “uma de quarenta será trocada por duas de vinte”. E como hoje em dia a vida está muito cara, os juízes das varas de família viverão correndo atrás dos sabidões sonegadores de lucros e salários, eternos fugitivos das pensões obrigatórias, e a mulher terá que trabalhar para prover o sustento e a educação dos filhos. Ao menos para complementá-los. Alguém disse, um dia, que quando afrouxamos as rédeas do animal que vive em nós viramos animais... Certamente, certamente vão tentar regulamentar o irregulamentável. Quem quiser que se iluda.

Felizmente o nosso povo, o grosso do nosso povo ainda não casa civilmente e, no interior do país, valorizado é o casamento religioso, este indissolúvel por sua natureza de Sacramento. 
Viva o Divórcio! Reviewed by Editor on sábado, janeiro 17, 2015 Rating: 5
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