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Pedro não falou pela boca de Francisco


Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com 

Egrégio Pontífice!
Sustenta com tua égide e tua doutrina a Cátedra de Pedro,
Cátedra da verdade,
Contra todos os bárbaros modernos
E contra a investida do erro. 

Como lhes soam essas palavras? Vocês sabem quem foi São Leão Magno? Foi um Papa que lutou contra a heresia e combateu a Eutiques, e por sua sabedoria e bom serviço, no Concílio de Calcedônia disseram dele: "Pedro falou pela boca de Leão". Podemos dizer o mesmo hoje em dia, que pela boca do atual Pontífice Romano, Pedro fala?

Na sexta-feira eu estava ansiosa à espera da publicação da exortação apostólica Amoris Laetitia. Muitas coisas passavam pela minha cabeça, sobretudo quanto ao conteúdo do documento e de que maneira ele afetaria a Igreja e a nós, católicos. Hoje já sabemos a resposta: bom... bom... bomba.

Não entrarei em detalhes concretos, porque precisaríamos de vários meses para comentar ponto por ponto. De minha parte, apenas um resumo conciso: comunhão eucarística "self-service", disponível a todo o mundo; sexo livre; fomento da regulação natural como método recomendado para os mais pios ("deve-se promover o uso dos métodos baseados nos ritmos naturais da fecundidade", par. 222); adeus sacerdotes, bem-vindos leigos, de preferência o setor feminino; educar as crianças em temas tão interessantes e didáticos como o sexo, já indicado pelo Concílio; dar incentivo para que a paróquia seja um centro de multisserviços, que acolha a advogados, sexólogos e terapeutas, médicos, assistentes sociais — tudo isso para que os fiéis se sintam sempre atendidos, e se alcance o objetivo do "acompanhamento pastoral". E, finalmente, dependendo de seu lugar de origem e das circunstâncias locais, pode-se escolher entre casar ou permanecer amancebado, ou, como diria Julio Iglesias, "amantes" ("Muitas vezes a escolha do matrimônio civil ou, em diversos casos, da simples convivência não é motivada por preconceitos ou relutância face à união sacramental, mas por situações culturais ou contingentes", par. 294).

Mas, por outro lado, nada de novo! Não acreditam? Tudo era previsível. Efetivamente, eles coloram sobre o papel o que já estava consumado. A igreja caminha à ruína desde o Concílio Vaticano II, e agora — como resultado de um processo que já vem correndo há três anos —, o atual Papa emergiu como o líder da causa para concluir a empreitada de uma vez por todas: a obliteração da Igreja de Jesus Cristo.

"A ruptura se acentuava em Roma e fora de Roma entre o liberalismo e a doutrina da Igreja. Os liberais, depois de conseguirem nomear papas como João XXIII e Paulo VI, viram triunfar sua doutrina por meio do Concílio, meio maravilhoso para obrigar toda a Igreja a adotar seus erros" (Mons. Marcel Lefebvre, "A Vida Espiritual").

Em meio à minha ansiedade, meu esposo chegou para comer, como de costume, e conversamos sobre o nosso dia de trabalho. Chamou-me a atenção o fato de que em nenhum momento ele falou sobre o que tanto me assustou. Esperei pacientemente, mas nada. Sua cabeça estava ocupada com outros assuntos, e por um momento pensei: "pode-se viver alheio ao tsunami Francisco?".

À tarde, quando saí de casa, encontrei-me com um amigo e fiquei novamente surpresa. Não houve nenhum comentário sobre a questão, e quando lhe perguntei o que pensava de tudo isso, sua resposta foi imediata: "simplesmente vivo como se o Papa não existisse". Essa frase, que durante dias perturbou minha cabeça, me fez lembrar de minha infância, na qual — como na da maioria de vocês — não havia Internet (e eu não nasci no século XV) e as notícias sobre o Papa, se é que havia, passavam simplesmente desapercebidas; não havia nada de novo para contar, porque o Santo Padre era um guardião da Fé. Não me lembro de meus pais falando de encíclicas ou exortações. Em casa, nunca escutei comentários profundos sobre os discursos papais. Fomos educados numa grande verdade: o Magistério é invariável, independentemente de quem esteja sentado na Sé de Pedro, e se alguém quiser ir para o Céu, deve cumprir os Mandamentos da Lei de Deus; toda palavra contrária a isso provém do maligno.

Há quem considere o Papa como um mero elemento decorativo ou simplesmente o ignoram. Eu mesma poderia estar em um desses casos, pois há dias em que me levanto com esse firme propósito, mas enfim... Outros, mais astutos, defendem seus próprios interesses, louvam e exaltam a voz de Francisco, diga o que diga ou faça o que faça — o importante é não perder sua posição privilegiada, e para isso trabalham as consciências de seus adeptos, "hip, hip, Francisco!". Lendo um artigo escrito por um sacerdote, aprendi que devemos obedecer e nos deixar guiar pelos ensinamentos papais, pois dessa forma caminharemos à salvação. Isso se chama enganar descaradamente, aproveitando-se de uma posição privilegiada. Para dizer essas coisas, só lhes interessa que vejam o seu clergyman.

Mas vocês e eu, fiéis amantes de Cristo Rei, que estamos dentro da Igreja, não fora, e decidimos combater o mal, neutralizar o vírus — sejamos médicos de almas! Acabemos com essa pandemia! Unidos, nós podemos! Vocês acreditam que as palavras transcritas a seguir podem ter sido escritas sob inspiração do Espírito Santo? Isso é muito grave. "Vade retro Satana!".

"É possível que uma pessoa, no meio de uma situação objetiva de pecado — mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente —, possa viver na graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja" (par. 305).

Viver na graça de Deus em uma situação de pecado: como digerir isso? Essa advertência pode ser aplicada a todos os casos, digo eu, não só aos amancebados e aos "grupos de risco" — a quem o Papa tanto ama; ou será que os nossos pecadilhos não são dignos da misericórdia divina? O confessionário, a partir de agora, é lugar de idiota? É uma terapia para quem está aborrecido? Ouçam, não arranquemos nossos cabelos, nem nos deixemos enganar: nós nos condenaremos se seguirmos essas insensatezes. Repito: nós nos condenaremos.

Se o mundo e a Igreja sobreviverem, ao menos por mais um século, colocarão as mãos sobre a cabeça e verão o que aconteceu em 2016: uma fogueira de almas que cobriu o céu de cinza. O inferno exaltado.

Pode-se viver indiferente a Francisco e seu báculo? É difícil. Nem mesmo Frei Gerúndio, na paz monacal, alcança tal proeza. No entanto, tentar já é muita coisa. Caríssimos, depois de ler Amoris Laetitia, cabe perguntar se a pessoa que rege a Igreja nestes momentos é um Papa, um suicida, um desnorteado ou um assassino de almas. Não tenham medo desses pensamentos. O perigo seria não os ter, pois não podemos nos converter a essa seita luterana. Os católicos centrados, regulares, como nós, consideramos tudo isso e devemos expressar em voz alta. Temos a obrigação grave de apontar o erro.

É surpreendente observar como, poucas horas depois de sua publicação oficial, as homilias dos "homens do Papa" já estavam anunciando a nova era. Os canais de TV de todo o mundo abriram suas portas, recordando-nos que os "divorciados já podem comungar"; as páginas web neoconservadoras davam sua explicação a seus seguidores: "o Papa apenas confirmou o magistério da Igreja". Surpreendente, mas real — os movimentos, carismas e prelazias aplaudiam o rei enquanto o verdadeiro Rei estava sendo novamente crucificado diante de nossa indiferença, ou melhor, com o escárnio de seus próprios Pastores, que lhe cospem e apedrejam no caminho ao calvário.

Bispos sorrindo, "twittando" suas primeiras impressões; outros, mais adiantados e com um público virtual fiel que os segue, anunciando o dia e hora em que farão uma análise exaustiva do documento completo e, de quebra, concederão uma ciber-bênção a todos os que acolherem o "tão simples" discurso.

E me chamou profundamente a atenção que, de uma exortação, sairá outra exortação. Preparando desde já os fiéis para a próxima rajada (toquem os sinos do casamento):

"Nas respostas às consultas promovidas em todo o mundo, ressaltou-se que os ministros ordenados carecem, habitualmente, de formação adequada para tratar dos complexos problemas atuais das famílias; para isso, pode ser útil também a experiência da longa tradição oriental dos sacerdotes casados" (par. 202).

É tão ridículo quanto dizer a um professor que ele não pode ensinar porque não tem filhos e não conhece a realidade dos adolescentes. Ou seja, os presbíteros terão que casar-se, ter filhos, divorciar-se e amancebar-se com outra mulher, para então conhecer a realidade da família atual.

No entanto, para resolver estas deficiências, nos seminários, ao invés de latim — que já está fora de moda mesmo —, os seminaristas serão educados por uma tutora e viverão com seus pais e outros membros da família (e até com seus amigos e, sobretudo, amigas), para que amadureçam na fé e tenham uma sopa quente no inverno:

"A presença dos leigos e das famílias, particularmente a presença feminina, na formação sacerdotal, favorece o apreço pela variedade e complementaridade das diferentes vocações na Igreja" (par. 203).

Se este é o princípio da exortação, imaginem o que virá depois. Como dizia a canção, e que é muito bem aplicável ao nosso caso, " Sexo, amor e rock and roll".

Agora, o pecado já não é pecado. Ele está sujeito à interpretação de acordo com os casos, as culturas e outros fatores. Roubar será pecado dependendo da realidade cultural em que se vive, por exemplo. E a mesma ideia se aplica a todo o resto. Se vocês — esperamos que esse não seja o caso — vivem numa comunidade hippie, a convivência sexual entre uns e outros, como é costume nesses ambientes, não será pecado. É para começar a rir ou chorar, dependendo das convicções de cada um, e não parar.

"Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada 'irregular' vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante" (par. 301).

Uma vez que Deus complicou demais a nossa vida com as Tábuas da Lei [aliás, hoje em dia é muito chato e até impossível obedecer aos Mandamentos, não é mesmo?], é normal que não se fale do Antigo Testamento; é por demais inconveniente pensar em um castigo divino para tanta aberração — mas, sem dúvida, ele virá e cairá com toda a sua força.

"Agora, pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra ele, e o consuma; e eu farei de ti uma grande nação" (Êxodo XXXII, 10).

Como Moisés, ao descer do monte Sinai, encontrou uma comunidade pervertida que adorava a um deus pagão, essa nossa sociedade adora a um homem vestido de branco, que ensina o pecado sobre a vida da graça, que mostra o caminho à condenação ao invés da salvação.

"A lei natural não pode ser apresentada como um conjunto já constituído de regras que se impõem a priori ao sujeito moral, mas é uma fonte de inspiração objetiva para o seu processo, eminentemente pessoal, de tomada de decisão" (par. 305).

Só podemos pedir ao Bom Deus que nos conserve na Fé e que nos preserve no Magistério e na Tradição, ajudando-nos a viver alheios a tudo isso, aferrados à Palavra, resguardando-nos na oração diária e na súplica a Cristo para que nos permita estar sempre com Ele, aos pés da Cruz, onde não temos nada a temer, e onde Ele, em meio à dor e ao sofrimento, nos consola e nos protege com seus braços de Pai.

"O Papa atual e esses bispos já não transmitem Nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim uma religiosidade sentimental, superficial, carismática, pela qual já não passa a verdadeira graça do Espírito Santo em seu conjunto. Essa nova religião não é a religião católica; é estéril, incapaz de santificar a sociedade e a família. Uma coisa apenas é necessária para a continuação da Igreja Católica: bispos plenamente católicos, que não façam nenhum compromisso com o erro, que estabeleçam seminários católicos, onde os jovens aspirantes se alimentem com o leite da verdadeira doutrina, ponham a Nosso Senhor Jesus Cristo no centro de suas inteligências, de suas vontades, de seus corações, unam-se a Nosso Senhor por meio de uma fé viva, uma caridade profunda, uma devoção sem limites, e peçam como São Paulo que se reze por eles, para que avancem na ciência e na sabedoria do 'Mysterium Christi', no que descobrirão todos os tesouros divinos" (Mons. Marcel Lefebvre, "A Vida Espiritual").
Pedro não falou pela boca de Francisco Reviewed by Editor on quarta-feira, abril 13, 2016 Rating: 5
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