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Sobre a «Alegria do Amor»



Recentemente foi divulgada a nova Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre a Família, como conclusão oficial do último Sínodo. O papa escolheu como título "Amoris Laetitia" — a "Alegria do Amor". Aliás o tema da "alegria" está bem presente na visão do Papa, basta nos lembrar da Evangelii Gaudium.

Li a referida exortação. Percebe-se, logo de início, que nada tem de gozosa. Ela é extensa por demais, complexa e cansativa.

Dá-se a impressão que se está dentro de uma espiral que ora gira para um lado, ora para o outro, deixando zonzo quem se dá à leitura.

É necessária uma parada, um chazinho bem quente, fôlego e muita determinação para se chegar ao fim do documento.

Repete-se o estilo da Evangelii Gaudium, que prefiro chamar de "Dolor Fidelium". Mas nesta, por excelência e complexidade, é notada uma ausência de clareza quanto à doutrina e disciplina dos sacramentos. Há um teor pastoral excessivo diante da escassez do fundamento tradicional da Igreja Católica que deveria se ver logo na introdução, para, após ter lugar o embasamento na Verdade Católica, então avançar nas problemáticas hodiernas e novos desafios pastorais.

Se é verdade que pelos frutos conhecemos a árvore, pelas notas conhecemos um livro. Toda base do documento é eminentemente conciliar, ficando a cargo da Gaudium et Spes a soberania no assunto. A linha com a Arcanum Divinae Sapientiae, de Leão XIII (1880), e com a Casti Connubii, de Pio XI (1930), parece ter sido interrompida. É bem verdade que esta última aparece uma única vez... O que predomina em todo o texto é a Gaudium et Spes, a Familiaris Consortio, de João Paulo II, e um pouco de Paulo VI, em sua Humanae Vitae.

Em todo o corpo há um embate entre Francisco de um lado e o Catecismo e a Familiaris Consortio, do outro. Digo isto porque é justamente aqui que se encontra a fragilidade do documento. Se a Verdade católica é colocada e assegurada, noutra parte, nas colocações de Francisco, ou é negada ou obscurecida.

Vejamos alguns aspectos do documento:

"Algumas formas de união contradizem radicalmente este ideal, enquanto outras o realizam pelo menos de forma parcial e analógica. Os Padres sinodais afirmaram que a Igreja não deixa de valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimônio" (par. 292).

Ora, as formas que contradizem radicalmente o Matrimônio Sacramental são justamente as uniões naturais ou ainda as uniões adúlteras ou uniões não naturais, objetivamente Pecado Mortal. Onde estão e quais são, então, esses elementos "construtivos"? Seria grave afirmar que de um princípio mal, tivéssemos um bem, como nos ensina o Aquinate.

"Na abordagem pastoral das pessoas que contraíram matrimônio civil, que são divorciadas novamente casadas, ou que simplesmente convivem, compete à Igreja revelar-lhes a pedagogia divina da graça nas suas vidas e ajudá-las a alcançar a plenitude do desígnio que Deus tem para elas, sempre possível com a força do Espírito Santo" (par. 297).

Mas de que "graça" se fala aqui? A santificante? Impossível! Pois não se tem um estado de vida de acordo com os princípios sacramentais. A graça atual? Esta até poderia, entretanto, ela existe como meio para se voltar à santificante, pela conversão e mudança de vida. E a extraordinária? Bem temerário esperar por ela, não acham? Mas além da "graça", onde ficam as obras?

São colocações sérias de um papa. Os princípios gerais são perigosos à toda disciplina sacramental. A subjetividade do texto deixa brechas para todos os lados e gera entendimentos diversos, interpretações outras em matéria tão importante.

Como negar a comunhão aos irregulares e em pecado objetivo diante de tudo isso?

"Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! Não me refiro só aos divorciados que vivem numa nova união, mas a todos seja qual for a situação em que se encontrem" (par. 297).

Aqui parece se aplicar a teoria da "Salvação Universal" tão querida por João Paulo II, e a ideia de que se o inferno existe, ele estaria vazio. Não mais condenações, não mais ascese, não mais penitentes, só misericórdia, "gaudium et gaudium".

E o que faremos agora diante das severas advertências do Senhor de estarmos prontos e preparados para o dia do juízo?

Dies irae! dies illa.
Solvet saeclum in favilla.
Teste David cum Sibylla!

Diante das contradições que acabamos de perceber, precisaria de um documento explicando o Documento, prova de fogo para um Pe. Lombardi, se não tivesse sido aposentado...

Por exemplo, a proibição da comunhão aos que estão em situação de adultério, como sempre foi ensinado pela Igreja, em nenhum momento aparece no texto; há um silêncio ensurdecedor sobre esta disciplina, entretanto podemos ler no parágrafo 301:

"Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada 'irregular' vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante".

Diante desta afirmação do papa, melhor calar.

"Senhor, a quem iremos?..." (Jo VI, 68).

É verdade que nos encontramos diante de um pontificado polêmico. São muitos os que aplaudem Francisco e, infelizmente, muitos inimigos da Igreja se regozijam com o papa.

É também verdade que suas falas geram desentendimentos e várias interpretações. O próprio Francisco, ciente disso e sabendo que alguns o acusava de "não muito católico", chegou a dizer que era católico e que se necessário fosse, recitaria publicamente o Credo:

"Perguntam-me se eu sou católico? Se quiserem, posso recitar o Credo..." (durante a viagem de Santiago de Cuba a Washington).

Cena como esta jamais seria imaginada nos tempos em que a clareza e a objetividade emanavam da boca do Papa. Antigamente a luz da Igreja iluminava o mundo, hoje parece que a escuridão do mundo ofusca a Verdade da Igreja.

Faço minhas as palavras do filósofo Olavo de Carvalho:

"Notem bem: O Papa não está lá [no trono de Pedro] para desfrutar sempre da nossa paternal condescendência na interpretação das suas palavras. Ele está lá para nos ensinar e guiar. É um pai e não um jovem inexperiente que precise de compreensão e tolerância. Chega de alegar sempre a desculpa da ignorância, das boas intenções mal expressas, das ambiguidades de linguagem, etc. Estamos fazendo isso desde 1962 e vejam no que deu. Pio XII jamais precisou que alguém explicasse 'o que ele queria realmente dizer'. Ele dizia o que pensava realmente, e todo mundo compreendia. A simples ambiguidade de expressão, na boca de um papa, já é intolerável".

Rezemos sempre pelo Papa e pela Igreja em seu ocaso.
Sobre a «Alegria do Amor» Reviewed by Editor on terça-feira, abril 12, 2016 Rating: 5
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