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Cardeal Müller: a ordenação de uma diaconisa é irregular e implica a excomunhão


Die Tagespost, 11 de dezembro de 2001 
Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com 

Em sua assembléia anual celebrada em dezembro de 2001, em Roma, a Comissão Teológica Internacional da Congregação para a Doutrina da Fé tratou o tema do diaconato. À margem da reunião, o atual Cardeal Prefeito para a Doutrina da Fé, S.E.R. Gerhard Ludwig Müller, então catedrático de Teologia na Universidade de Munique e professor convidado na Faculdade de Teologia de São Dâmaso de Madrid, resumiu em uma ampla entrevista ao jornal católico alemão "Die Tagespost" os resultados da discussão, que foram reunidos num documento entregue ao Cardeal Joseph Ratzinger, à época Prefeito do Dicastério e futuro Papa Bento XVI.

Müller explicou que o diaconato não é um sacramento à parte, mas que participa do único sacramento da Ordem. Deste modo, o purpurado aborda a questão do diaconato feminino explicando que nunca houve casos de ordenação sacerdotal de mulheres. A seguir, alguns dos trechos mais interessantes da entrevista. Os destaques são nossos.

— O diaconato é um sacramento próprio, independente?

A Igreja ensina, de modo bem claro, que o sacramento da Ordem é um dos sete sacramentos da Igreja. Como exercício pleno, no Espírito Santo, da missão única em sua origem nos apóstolos de Cristo, é exercido em sua plenitude pelo bispo. A participação diferenciada nele é denominada, segundo o grau de sua concreção, presbiterado ou diaconato. 

— Pode-se separar, talvez, o diaconato das mulheres do sacerdócio feminino?

Não! Devido à unidade do sacramento da Ordem, que foi sublinhada nas deliberações da Comissão Teológica, não se pode medir com padrões diferentes. Seria então uma verdadeira discriminação à mulher caso fosse considerada apta para o diaconato, mas não para o presbiterado ou o episcopado. A raiz da unidade do sacramento seria rompida se, ao diaconato como ministério do serviço, opusesse-se o presbiterado como ministério do governo, e daí se deduzisse que a mulher tem, diferentemente do homem, uma maior afinidade para servir, e por isso seria apta para o diaconato, mas não para o presbiterado. No entanto, o ministério apostólico em seu conjunto é um serviço nos três graus em que é exercido. A Igreja não dá o sacramento da Ordem às mulheres não porque lhes falta algum dom espiritual ou algum talento natural, mas porque — como no sacramento do Matrimônio — a diferenciação sexual e de relação entre homem e mulher contém em si um simbolismo que apresenta e representa uma condição prévia para expressar a dimensão salvífica da relação de Cristo com sua Igreja. Se o diaconato, com o bispo e o presbítero, a partir da unidade radical dos três graus da Ordem, atua a partir de Cristo, cabeça e esposo da Igreja, em favor da Igreja, é evidente que só um homem pode representar esta relação de Cristo com a Igreja. E, por outro lado, é igualmente evidente que Deus só podia tomar sua natureza humana de uma mulher, e por isso o gênero feminino também tem, na ordem da graça — pela referência interna de natureza e graça —, uma importância inconfundível, fundamental, e de modo algum meramente acidental.  

— Há declarações doutrinais vinculantes acerca da questão do diaconato feminino?

A tradição litúrgica e teológica da Igreja emprega uma linguagem unívoca. Trata-se neste assunto de um ensinamento vinculante e irreversível da Igreja, que está garantido pelo magistério ordinário e geral, mas que pode ser confirmado novamente com uma maior autoridade caso se continue apresentando de modo adulterado a tradição doutrinal, afim de forçar a evolução em uma determinada direção. Assombra-me o escasso conhecimento histórico de alguns e a ausência do sentido da fé; se não fosse assim, deveriam saber que nunca se logrou e nunca se conseguirá pôr a Igreja, precisamente no âmbito central de sua doutrina e liturgia, em contradição com a Sagrada Eucaristia e com sua própria Tradição.

— O que aconteceria se um bispo validamente ordenado, fora da comunhão da Igreja, ordenasse uma mulher como diaconisa?

De modo invisível, isto é, diante de Deus, não aconteceria nada, pois a ordenação seria inválida. Visivelmente, ou seja, na Igreja, algo aconteceria, pois um bispo católico que realiza uma ordenação irregular incorre na pena de excomunhão.

— Poderia o Papa decidir que, no futuro, as mulheres receberão o diaconato?

O Papa, ao contrário do que pensam muitos, não é o dono da Igreja ou o soberano absoluto de sua doutrina. A ele só está confiada a tutela da Revelação e sua interpretação autêntica. Tendo em consideração a fé da Igreja, que se expressa em sua prática dogmática e litúrgica, é de todo impossível que o Papa intervenha na substância dos sacramentos, à qual pertence de modo essencial a questão do sujeito receptor legítimo do sacramento da Ordem.
Cardeal Müller: a ordenação de uma diaconisa é irregular e implica a excomunhão Reviewed by Editor on segunda-feira, setembro 05, 2016 Rating: 5
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