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Mas o Vaticano II disse que o Papa Francisco não podia fazer isso

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

A recente mensagem do Papa Francisco convidando os católicos a se arrependerem dos "pecados" contra o meio ambiente parece vir com a plenitude da autoridade da Igreja, não na forma, mas no conteúdo. Embora emitida como uma simples mensagem papal, ela usa uma linguagem contundente sobre arrependimento, perdão e necessidade de conversão ao introduzir uma nova categoria de pecado, até então estranha à compreensão católica. E uma vez que a ciência do aquecimento global ainda está sob forte discussão, e na realidade trata-se de uma questão fora da competência da Igreja, o Papa simplesmente não tem a liberdade de exigir que os católicos adiram a ela.

O Concílio Vaticano II ensinou: "devem, no entanto, lembrar-se de que a ninguém é permitido" (sem fazer exceção aos papas) "invocar exclusivamente a favor da própria opinião a autoridade da Igreja" (Gaudium et Spes, 43). O Papa Bento XVI reiterou o mesmo ensinamento ainda mais explicitamente, dizendo, em 2011: "ninguém pode pretender falar 'oficialmente' em nome de todos os leigos ou de todos os católicos" (cf. aqui). O então pontífice também notou que é de todo apropriado, no entanto, insistir que isso não se aplica a questões não-negociáveis.

Em 2004, Bento XVI (ainda quando Cardeal Ratzinger) explicou que, enquanto há questões morais não-negociáveis, tais como o aborto e a eutanásia, há outras em que os católicos podem legitimamente divergir do próprio Papa. "Nem todas as questões morais têm o mesmo peso moral que o aborto e a eutanásia", escreveu ele. "Por exemplo, se um católico discordasse com o Santo Padre sobre a aplicação da pena de morte ou na decisão de fazer a guerra, este não seria considerado por esta razão indigno de apresentar-se a receber a Sagrada Comunhão". Concluindo, disse: "Pode haver uma legítima diversidade de opinião entre católicos a respeito de ir à guerra e aplicar a pena de morte, mas não, entretanto, em relação ao aborto e a eutanásia".

Em sua Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, de 2007, Bento XVI listou os valores não-negociáveis como "respeito e defesa da vida humana desde a concepção até à morte natural, a família fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher, a liberdade de educação dos filhos e a promoção do bem comum em todas as suas formas".

Na primeira vez em que o Papa Francisco exortou os fiéis, em determinados pontos de sua encíclica Laudato Si, com uma linguagem forte, a aderir à teoria das alterações climáticas, o cardeal de alto escalão do Vaticano George Pell apontou especificamente para aqueles pontos como não-vinculativos [em relação à autoridade papal]. Falando ao Financial Times alguns dias depois da publicação da encíclica, Pell disse: "A Igreja não é especialista em ciência... A Igreja não tem nenhum mandato do Senhor para se pronunciar sobre assuntos científicos".

Mas há pontos de vista divergentes no Vaticano acerca da autoridade das considerações do Papa sobre a mudança climática. O bispo argentino Marcelo Sánchez Sorondo, um conselheiro próximo do Papa e chanceler tanto da Pontifícia Academia das Ciências como da Academia Pontifícia de Ciências Sociais, argumentou que as declarações do Papa sobre a gravidade do aquecimento global, conforme expressas na encíclica Laudato Si, são ensinamentos magisteriais equivalentes ao ensinamento de que o aborto é um pecado (cf. aqui).

Padre Robert Sirico, fundador e presidente do Acton Institute, contestou as observações de Sorondo. É "importante ressaltar a diferença entre a dimensão teológica da Laudato Si e suas reivindicações econômicas, científicas e empíricas", disse ele. "A Igreja não tem a pretensão de falar com a mesma autoridade em assuntos de economia e ciência... como faz quando se pronuncia sobre questões de fé e moral".

Comentando o assunto numa entrevista ao LifeSiteNews, o frei Joseph Fessio, SJ, fundador da Ignatius Press, que obteve seu doutorado em teologia sob Joseph Ratzinger, disse que "nem o Papa nem Dom Sorondo podem falar sobre um assunto de ciência com vínculos de autoridade, de modo que o uso da palavra 'magistério' por ambos é ambígua na melhor das hipóteses, e ignorante em qualquer caso". Frei Fessio acrescentou: "Equacionar uma posição papal sobre o aborto com uma posição sobre o aquecimento global é pior que errado; é uma vergonha para a Igreja".
Mas o Vaticano II disse que o Papa Francisco não podia fazer isso Reviewed by Editor on segunda-feira, setembro 12, 2016 Rating: 5
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