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Relatos da perseguição religiosa comunista e nazista da década de 30



Crônica de 1937 – Renitencia.com

A perseguição religiosa nos soviets

Os últimos métodos da diabólica perseguição de que está sendo vítima a religião, por parte dos detentores do poder na Rússia, foram revelados pelo Bispo [Michel-Joseph Bourguignon] d’Herbigny numa reunião há pouco realizada em Londres, da qual dão notícia os semanários católicos ingleses “The Universe” e “The Catholic Times”.

Monsenhor d’Herbigny foi Presidente da Comissão Pró-Rússia e é Presidente honorário do Instituto Oriental Pontifício. Conhece profundamente a Rússia, onde esteve em missão da Santa Sé.

“O Inferno de Dante, disse S. Exa. Revdma., nada é em comparação aos horrores dessa perseguição, que nasce do materialismo dialético sobre o qual assenta todo o esquema bolchevista”.

Não há lugar para um ideal solitário espiritual ou para um simples pensamento religioso ou mesmo para consciência, num sistema materialista. A perseguição torna-se possível pelo poder absoluto e fiscalização do governo sobre qualquer atividade dos cidadãos.

Mais de 90% da população russa é composta de camponeses e menos de 10% dela é de moradores urbanos. Nas cidades foi fácil compelir os habitantes a abjurar sua religião, negando-se-lhes as licenças de moradia, de trabalho e de alimentação. O Estado dirige tudo e, a não ser que um cidadão esteja disposto a assinar uma declaração de ateísmo militante, pode ser e é levado à miséria para morrer de fome.

Semelhantes declarações são impressas nos compêndios escolares. Nesses compêndios há pequenos poemas anti-religiosos e contra Deus, os quais as crianças são obrigadas a escrever em seus cadernos de cópia.

Leu e traduziu o Bispo, num desses compêndios, o seguinte exercício para uma criança de cinco ou seis anos:

Copie em seu caderno e numa folha separada os seguintes versos, assine o seu nome e coloque a folha no canto dos “Sem-Deus” da escola:

“Não cremos nos padres nem nas suas histórias idiotas;
Não queremos seu celestial paraíso;
Não celebramos sua estúpida Páscoa;
Festejaremos nosso brilhante dia de Maio;
Não acreditamos nos contos das velhas;
Não queremos festa alguma de Páscoa;
Nenhum sino de igreja tocará em nossa aldeia”.

Estas sentenças são seguidas de uma exortação: “Não celebrem a Páscoa; esta é a União dos ‘Sem-Deus’”.

Uma vez assinado o papelucho, a criança torna-se automaticamente membro da União Bezbozniki, e seus pais perdem toda autoridade sobre ela, constituindo um duplo delito ensinar uma ideia ou cerimônia religiosa, mesmo fazer o sinal da cruz.

Estes fatos não são história antiga. Estão se passando em nossos dias, este ano. Nas aldeias, a fim de obter privilégios, sem os quais se morre de fome, o camponês é forçado a entrar nas agremiações dos “Sem-Deus”.

Um dia é especialmente escolhido para a cerimônia da apostasia de toda a aldeia e é impossível escapar ao ato de apostasia individual sem correr o risco de ser condenado a morrer na inanição ou deportado para os campos de prisão. Todos, sem exceção alguma, têm de assinar o ato de apostasia no dia marcado. Não é, pois, de admirar que Yaroslavski possa publicar longas listas de apostasia com o título “Nossas vitórias”.

Padres e bispos têm sido presos e desterrados em massa (...). Em toda a Rússia Asiática não há neste momento mais do que um padre católico. Numa área quarenta vezes maior do que a França não há padre católico, nem igreja. Na Ucrânia existe apenas um velho padre cego. Em Kiev não há padre algum. Em Odessa, também não existe um só padre, e assim poderíamos percorrer toda a Rússia encontrando capitais e cidades com grandes populações católicas sem recurso de espécie alguma para as suas necessidades espirituais.

Em Moscou e Leningrad, por causa dos turistas, a situação é um pouco melhor, porém, mesmo assim, agora apenas existe um padre católico onde antes havia quarenta, e as poucas igrejas deixadas abertas estão inteiramente cheias de fiéis.

Agradecemos a Deus, disse o Bispo d’Herbigny, por estas almas fidelíssimas que não se curvam diante de qualquer perseguição e que antes preferem se arriscar a suplício da fome, ao desterro, à morte, do que dobrar o joelho a Satanás.

Professar uma religião pode ser tecnicamente permitido na Rússia, mas o proselitismo é expressamente proibido, e mesmo uma notável piedade pessoal é considerada “propaganda” e julgada motivo para prisão, principalmente si se percebe que o exemplo de um está influindo sobre os outros.

Ultimamente uma nova técnica se tem desenvolvido: o processo da morte lenta; e nesse sentido são expedidas ordens desse teor: “Não os mateis, mas deixai que morram. Apertai suas mortes nos círculos de vossos regulamentos e no tratamento que lhes dispensardes, porém não os assassineis”. Daí a barbaridade das prisões e detenções.

Os suspeitos são conservados semanas e semanas sem dormir, em contínuas orgias de luz, dia e noite. São interrogados por dias a fio, até ficarem fora de si.

Para mostrar que a perseguição até a morte não é assunto de história antiga, Monsenhor d’Herbigny citou a morte nestes últimos dias, de diversos bispos, muitos dos quais ele mesmo havia consagrado quando esteve na Rússia.

Vítimas da satânica perseguição bolchevista tombaram o Bispo Nicholas Barthelmy Theodorovitch, que pleiteou a reunião da Igreja Ortodoxa com a Igreja Romana e sobre quem Monsenhor d’Herbidny revelou o comovedor e interessante fato de se haver convertido ao Catolicismo muitos anos antes de sua morte; o Bispo Butkievitch, o Bispo Yolnierovitch, o Bispo Frissant, o Bispo Markoushevski – todos mártires do presente momento.

Monsenhor d’Herbigny pediu aos sacerdotes e leigos presentes que celebrassem uma missa ou fizessem uma comunhão pelos padres ou fiéis russos impossibilitados de fazê-lo devido à perseguição, e disse que conquanto estivesse cheio de fé no triunfo que Deus havia de obter de todo o horror dessa perseguição, prevenia a todos de que o sonho russo-soviético (de importação messiânica), da dominação do mundo inteiro através do ateísmo e materialismo militante, era uma ameaça para todos nós, ameaça que já provava a sua força no México e nas repúblicas sul-americanas, na Espanha e alhures.

O vírus vermelho está se espalhando; país algum está livre da contaminação. Tudo é habilmente planejado.

“Ainda há poucos dias, acrescentou Monsenhor d’Herbigny, estava eu conversando com o Bispo Besson, de Friburgo, na Suíça, e ele me assegurou que os Bolchevistas estão agora projetando fazer da Suíça o quartel-general europeu do ateísmo militante, de modo a que possam estar aptos a desferir os seus golpes em todas as partes da Europa”.

Monsenhor d’Herbigny conclui a sua interessante e inspirada palestra com palavras de fé cristã e otimismo, sendo calorosamente aplaudido pela distinta e numerosa assistência.

A perseguição nazista

A propósito da violenta perseguição que a Igreja está sofrendo na Alemanha, por parte do nazismo pagão, foram trocadas entre o Episcopado inglês e o alemão as seguintes correspondências:

Eminência,

Nós, os Arcebispos e Bispos da Inglaterra e do País de Gales, em nossa reunião de hoje, na Residência Arquiepiscopal, em Westminster, julgamos nosso dever dar uma mostra de nossa fraternal caridade aos Cardeais e Bispos da Alemanha nas verdadeiramente penosas circunstâncias que defronta a Fé Católica nessas regiões.

Rogamos encarecidamente à Vossa Eminência que tenha a bondade de assegurar aos ditos Cardeais e Bispos a nossa sincera união espiritual, especialmente em nossas orações.

Ainda mais, que ordenamos sejam feitas orações especiais a Deus Onipotente e à Bem-aventurada Virgem Maria por todo o Clero e fiéis confiados ao nosso cuidado, por esta intenção, pela paz religiosa na Alemanha.

Beijando a Sagrada Púrpura com a devida deferência e reverência,

ARTUR
Arcebispo de Westminster,
Presidente Permanente do
Conselho dos Bispos da
Inglaterra e do País de Gales.

*    *    *

Excelência,

Nós, os Arcebispos e Bispos da Alemanha, reunidos em Fulda, junto ao túmulo de São Bonifácio, para nos aconselharmos sobre os problemas comuns de nossas Dioceses, recebemos com a mais viva e terna alegria a amável carta com que Vossa Excelência cordialmente nos transmite os sentimentos de caridade e verdadeira união fraternal de todo o Episcopado da Inglaterra e do País de Gales.

Agradecemos a Vossa Excelência mui devotadamente e com o mais sincero afeto, pois a carta de Vossa Excelência foi para nós uma fonte de santa alegria e de doce consolação, especialmente nesta ocasião, em que caiu sobre os ombros do Episcopado alemão o peso de ter de encarar os mais difíceis problemas, os quais tendo sido tantas vezes e tão claramente expostos nas declarações da Santa Sé, não precisam ser por nós examinados extensamente.

Nada existe de mais sagrado, nada mais importante para todos nós, do que ser a Fé Católica preservada inteiramente pura nos corações dos fiéis confiados ao nosso cuidado, que os sagrados mandamentos da Religião Cristã reinem na família, na educação da juventude e em todas as associações da vida social ou pública, e que o laço da mais forte união com a Santa Sé, estabelecido por São Bonifácio, permaneça indissolúvel.

Agradecemos especialmente a Vossa Excelência a caridade com que nos promete lembrar-se das nossas aflições em suas preces.

Por esta razão, reforçou-se a nossa confiança na Divina Providência, cujos ocultos desígnios, mesmo por árduos caminhos, nos levarão a um feliz termo.

Que o Divino Pastor amplamente recompense a caridade de Vossa Excelência.

Com a mais profunda estime e devotamento, sou de Vossa Excelência, humilde servo,

A. Cardeal Bertram
Arcebispo de Breslau

(Revista A Ordem, Ano XVII, Janeiro de 1937, pp. 63-67).
Relatos da perseguição religiosa comunista e nazista da década de 30 Reviewed by Renitência on sábado, maio 04, 2013 Rating: 5
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