Renitência

Últimas publicações

recent

A revolução de Francisco seduziu os intelectuais e políticos de esquerda



Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

28 de dezembro de 2013.

Alguns até o comparam com o Che Guevara. Para os representantes do progressismo italiano, o argentino Bergoglio se converteu em uma referência. Hasta la religión, siempre!

Alguns o desenham com a boina do Che, como apareceu em cartazes de partidos de esquerda e em grafites de rua. Outros rezam para que os políticos progressistas aprendam com ele. Francisco se converteu na estrela dos intelectuais de esquerda da Itália, que o consideram como a única bússola possível em tempos de crise política. O jornal Il Foglio, de linha editorial berlusconiana (e com atitude ratzingeriana), deu título ao fenômeno: «Nova esquerda bergogliana». «Tem uma posição firme contra as políticas neoliberais», sintetizou. No início deste mês, ocorreram na Itália as eleições primárias do Partido Democrático (PD). Nos comícios do principal partido de esquerda italiano, ao qual pertencem o primeiro ministro, Enrico Letta, e o presidente, Giorgio Napolitano, causou furor um cartaz com o rosto de Jorge Bergoglio, em que militantes pedem a seus representantes que o imitem. «Nem mesmo o Che nasceu em Florença», se lê no cartaz.

O eleito no PD foi Matteo Renzi, 38 anos, prefeito de Florença, que também se mostrou entusiasmado com o Papa: «O estilo de Jorge Bergoglio impacta e seduz, por sua capacidade de apresentar-se como companheiro de caminhada, ao invés de juiz. Admiro um Papa que escolhe como nome Francisco e pede orações». Nunca um secretário do primeiro partido de esquerda italiano se entusiasmou tanto com um Santo Padre.

Fausto Bertinotti, ex-presidente da Câmera dos Deputados e pai da esquerda radical italiana, também se entusiasma com o Papa: «É uma pessoa extraordinária cujos gestos têm uma força revolucionária». Bertinotti, histórico protagonista das lutas sindicais italianas e político de formação marxista, acrescentou: «Se a guerra na Síria terminar, deveríamos dar graças a este Papa».

O filósofo e ícone da esquerda, Gianni Vattimo, concorda com Bertinotti: «Muitas vezes os papas se aventuraram na tentativa de explicar uma guerra justa. Ao invés disso, Francisco disse que a guerra nunca é uma solução. É uma importante novidade em relação ao pensamento da Igreja».

O principal meio de comunicação de centro-esquerda italiano também faz elogios a Bergoglio: «O Papa renunciou ao magistério da sentença e deu preferência ao magistério da misericórdia. Se o Deus dos cristãos não é o pregador de uma filosofia, mas o Filho de Deus que se encarna, então se entende que quem tem a fé não pode reduzir tudo isto a pura ideologia. Este Papa é uma novidade que entra em cena, muito bem-vinda», disse Enzo Mauro, diretor do La Repubblica.

Angela Azzaro, vice-diretora do Gli Altri, o semanário que se autoproclama como “a esquerda quotidiana”, está orgulhosa de ter sido a primeira a pôr os olhos sobre a “aura revolucionária” de Francisco: «Fomos os primeiros a sair pelos quiosques com a saudação: ‹Compagno Francesco› (Companheiro Francisco)».

Há mais jornalistas de esquerda fascinados com Bergoglio. O escritor, ex-redator do L'Unitá (órgão oficial do Partido Comunista) e um dos homens mais conhecidos da televisão italiana, Luca Telese, também opina sobre Francisco: «Tem um estilo tão distinto dos outros papas que se tornou complicado até para os vaticanistas segui-lo. Apagou o know-how dos velhos correspondentes do Vaticano porque se comunica como uma rockstar. É uma mensagem que a esquerda deve entender».

Bergoglio tem mais apoio desde que a exortação Evangelii Gaudium foi publicada. São 84 páginas que denunciam a “tirania do mercado sem limitações”. A parte da exortação mais citada no debate político é aquela em que o Papa diz: «Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há de provocar a explosão» [nº 59].

«Estou convencido de que Francisco está representando um fato absolutamente novo na história da Igreja e, quiçá, na história do mundo», completou Umberto Eco. «Quando alguns ingenuamente me perguntam se [Francisco] representa uma revolução, eu contesto que as revoluções só são avaliadas cem anos depois».

Este é Francisco: o homem que veio “do fim do mundo” para transformar o Vaticano e, sobretudo, provocar uma revolução na esquerda italiana.
A revolução de Francisco seduziu os intelectuais e políticos de esquerda Reviewed by Renitência on terça-feira, dezembro 31, 2013 Rating: 5
Todos os direitos reservados — Renitência © 2013—2018
Hospedado no Blogger. Desenvolvido por Sweetheme.

Entre em contato conosco

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.