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Em dois anos, Bento XVI demitiu 384 padres por abusos de menores



Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

Cidade do Vaticano, 18 de janeiro de 2014 – É um dado que surpreende e que mostra quão necessário era o recrudescimento da legislação canônica introduzida em 2010 pelo Papa Bento XVI para permitir enfrentar de forma mais eficaz o triste fenômeno: nos dois anos seguintes, 384 padres condenados por abuso de menores foram reduzidos ao estado laical: 260 em 2011, 124 em 2012. A importante notícia foi divulgada ontem pela correspondente da Associated Press (AP), Nicole Winfield.

A estatística, obtida a partir dos dados publicados no volume “Atividades da Santa Sé 2012”, no qual são descritas também as atividades do Ofício disciplinar da Congregação para a doutrina da fé, demonstra um aumento drástico em relação aos casos de 2008 e 2009, que juntos totalizam 171.

Em um primeiro comentário, o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano contestou a leitura dos dados estatísticos fornecidos pela AP, mas logo depois o padre Frederico Lombardi confirmou a absoluta exatidão. E uma ulterior confirmação veio do bispo maltês Charles Scicluna, o prelado que durante uma década liderou, no antigo Santo Ofício, a equipe encarregada de examinar estes casos.

Durante os primeiros anos do novo milênio, após o grave escândalo dos padres pedófilos nos EUA, João Paulo II e o então cardeal Joseph Ratzinger decidiram trazer a Roma todos os casos de sacerdotes acusados de abuso de menores. Mas é com a eleição de Bento que a luta contra o fenômeno dá um salto adiante. Em abril de 2008, em uma entrevista durante o voo que o levava aos EUA, o Papa Ratzinger disse: «Excluiremos rigorosamente os pedófilos do ministério sagrado: é absolutamente incompatível e quem é realmente culpado de ser pedófilo não pode ser sacerdote». O Papa, por ocasião de suas viagens, começava a reunir-se regularmente com algumas vítimas de abusos, pedindo, com seu exemplo concreto antes que com suas palavras, uma mudança de mentalidade em toda a Igreja.

Em 2009 foi publicado o relatório sobre os abusos na Irlanda, e em 2010 surgem os escândalos na Alemanha. Bento XVI emite uma carta aos católicos irlandeses e ordena uma visita apostólica a todas as dioceses desse país. Entrevistado durante o voo que o levava a Lisboa, em maio de 2010, o Papa Ratzinger afirma: «A maior das perseguições contra a Igreja não advém de inimigos externos, mas nasce do pecado no seio da Igreja, e a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de reaprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender, por um lado, o perdão, mas também a justiça. O perdão não substitui a justiça».

Em 15 de julho de 2010 são anunciadas algumas alterações nas “Normae de gravioribus delictis”, que de fato introduziram uma legislação de emergência para estes casos.

Uma das alterações mais importantes é a que diz respeito ao termo de prescrição, que foi aumentado de dez para vinte anos. Os procedimentos foram simplificados e, nos casos mais graves, a demissão do estado clerical pode ser feita por via administrativa. Reiterou-se mais uma vez que «deve ser sempre aplicada a lei civil referente à denúncia dos crimes às autoridades apropriadas».

O notável aumento das reduções ao estado laical registrado no biênio imediatamente posterior à aplicação dessas alterações aparece como uma consequência direta das normais mais eficazes introduzidas apenas para combater o fenômeno dos abusos.
Em dois anos, Bento XVI demitiu 384 padres por abusos de menores Reviewed by Renitência on segunda-feira, janeiro 20, 2014 Rating: 5
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