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Pedofilia, processando a Igreja mas promovendo o sexo entre crianças



O artigo que apresentamos a seguir foi publicado em um site de língua italiana, mas as observações do autor encaixam-se magistralmente com as últimas notícias que têm sido difundidas pela imprensa brasileira sobre a reunião da ONU com o representante do Vaticano em Genebra, acerca dos abusos sexuais de menores.

Um texto esclarecedor e, acima de tudo, contraditório em relação às informações oferecidas pela imprensa nacional – que, “como sabemos, fica à espera ansiosa por relançar notícias para desacreditar os católicos e a Igreja”.

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Por Riccardo Cascioli
Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

17 de janeiro de 2014 – «A ONU enfrenta o Vaticano sobre o abuso de crianças»: assim titulava ontem o site da BBC aquela que por diversas horas foi a notícia número um, a mais importante do dia. E em seguida explicava: «Em uma audiência na ONU em Genebra, pela primeira vez o Vaticano teve que responder publicamente sobre os abusos sexuais cometidos pelo clero». Fosse esse realmente o caso, é verdade que um processo público internacional movido contra a Santa Sé seria uma grande notícia. Pena, porém, que as coisas não são totalmente assim: a audiência de que se fala é a reunião, atualmente em andamento em Genebra, das partes contraentes da Convenção das Nações Unidas sobre os direitos da criança, incluindo precisamente a Santa Sé (que assinou a Convenção em 1990). Periodicamente, cada país apresenta seu próprio relatório, que é obviamente discutido. Em 16 de janeiro «cabia a nós», disse Dom Silvano Tomasi, observador permanente do Vaticano junto da ONU em Genebra, durante uma pausa do trabalho, «e tudo ocorre regularmente, não existe nenhum processo». Nenhum ataque quanto à questão dos padres pedófilos? «É claro que falamos também sobre isso, mas esclarecemos a nossa posição sem nenhum problema; houve só algumas intervenções venenosas por parte de uma organização não governamental (ONG) inglesa».

Eis a chave para uma notícia, construída engenhosamente de modo a desacreditar a Igreja católica, na ótica desse documento da Pontifícia Comissão Teológica a que nos referimos em parte (clique aqui). Sim, porque nestas Comissões da ONU não existem apenas representantes dos países individuais, mas também organizações não governamentais que operam nesse setor específico. E a ONG que organizou a coisa toda foi a britânica CRIN (Child Rights International Network), apoiada pela BBC, que – como sabemos – fica à espera ansiosa por relançar notícias para desacreditar os católicos e a Igreja.

A CRIN, de fato, difundiu em 14 de janeiro um Relatório preliminar próprio sobre abusos de menores por parte da Santa Sé (clique aqui), que viria a servir de base para organizar o “processo” do [dia] 16. E ontem, dia da audiência, no site da CRIN foi transcrito – quase em tempo real – a síntese da sessão, mas contada de uma forma surreal, como se fosse realmente um processo. A sala da reunião estava lotada de jornalistas e espectadores, chamados para a ocasião. Não podiam, pois, excluir os representantes das associações de vítimas de abusos, abundantemente entrevistados por jornalistas presentes. Na crônica oferecida pela CRIN, o tom inquisitorial somou-se a números simplesmente inverossímeis, como a estimativa atribuída a um membro da Comissão, segundo a qual resultaria em 73 milhões o número total de crianças abusadas sexualmente por sacerdotes e religiosos.

Na realidade, o próprio Relatório da CRIN indica que se trata de milhares de casos, não de dezenas de milhares. Até mesmo um só já seria demais, como já dissemos em inúmeras ocasiões, e o escândalo foi enorme para a Igreja, mas disparar esses números não é decerto uma operação inocente. O mesmo Relatório da CRIN, por exemplo, relata que nos EUA, entre 1950 e 2002, as vítimas de abusos sexuais foram pouco mais de 10 mil – número, aliás, obtido por meio do informe do John Jay College, do qual La Nuova Bussola falou na época (clique aqui). No entanto, ontem Dom Tomasi citou, em vez disso, a estimativa de crianças vítimas de violência sexual no mundo segundo o “Relatório das Nações Unidas sobre a violência contra as crianças” (2006): 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos menores de 18 anos foram forçados a relações sexuais ou a outras formas de violência sexual que implicam um contato físico. [Em suma, a CRIN atribuiu aos sacerdotes e religiosos todos os abusos sexuais cometidos contra meninos no mundo].

A propósito dos números, é bom enfatizar uma outra falsidade descarada da CRIN: o objetivo declarado do Relatório e da crônica sobre a audiência é provar que a Igreja católica é ainda conivente com os responsáveis pelos abusos, que sempre tentou encobrir a verdade, que não está disposta a reconhecer as responsabilidades e garantir a transparência. Não pode deixar, pois, de se referir ao Papa Francisco, a única esperança de que algo mude na Igreja: de acordo com a CRIN, algumas mudanças em matéria de pedofilia ocorreram somente com este pontificado. Aqueles que têm seguido os fatos, mesmo casualmente, sabem que se trata de uma mentira colossal, visto que é com Bento XVI que foram tomadas decisões drásticas sobre o assunto, e Dom Tomasi recordou isso na apresentação do relatório da Santa Sé. Além disso, o próprio Relatório da CRIN desmente as alegações da ONG: os números relatados quanto a vítimas e padres responsáveis foram obtidos quase exclusivamente de fontes eclesiais (estudos comissionados pelas conferências episcopais individuais), produzidas justamente para demonstrar a linha de transparência adotada pela Igreja há algum tempo.

Na verdade, esta é mais uma demonstração de que as acusações de pedofilia são apenas uma desculpa para atacar a Igreja. A convicção é ainda mais certa se se começa a investigar o que é a CRIN e quem a financia. No Conselho administrativo encontramos, de fato, representantes de algumas ONGs como Save the Children e Christian Aid (Save the Children é um parceiro próximo de Fundações, como a Fundação Bill e Melinda Gates, que promove o controle de natalidade), bem como Open Society Initiative financiada por George Soros. Entre os financiadores encontramos ainda Save the Children seguido pelos governos sueco e norueguês, o Sigrid Rausing Trust (um fundo britânico que fornece ajuda financeira para a promoção dos direitos humanos, incluindo, naturalmente, os de gays, lésbicas, trans).

Não é de estranhar, então, que entre os programas promovidos para defender a infância haja a difusão da educação sexual desde a mais tenra idade, em perfeita harmonia com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde. Na página do site da CRIN dedicada ao tema, nota-se que aqueles que exercem uma influência negativa sobre a difusão da educação sexual – o que, claro, é um marco fundamental para o desenvolvimento das crianças (sic) – são, entre outros, aqueles que são contra o aborto. Parte integrante, portanto, da educação sexual é obviamente a ideologia de gênero.

E assim nos encontramos sempre no mesmo ponto: há um lobby que impulsiona a difusão da contracepção, do aborto, dos direitos dos gays e lésbicas, e que identificou na Igreja católica o seu inimigo, que precisa ser derrubado por qualquer meio. Surge, no entanto, um resultado paradoxal: acusar a Igreja pelos abusos de menores e, em seguida, promover relações sexuais desde a infância.
Pedofilia, processando a Igreja mas promovendo o sexo entre crianças Reviewed by Renitência on sexta-feira, janeiro 17, 2014 Rating: 5
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