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O banquete dos cortesãos

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

(Roma) O mundo dos cortesãos e seus privilégios contou, recentemente, com lugares na “primeira fila” para a Santa Missa. O banquete de 18 mil euros com vista para a Basílica de São Pedro, em cima de um telhado de Roma, foi organizado pela empreendedora Francesca Chaouqui. Mons. Vallejo Balda deu a sagrada Comunhão – em um copo plástico.

Em 27 de abril, centenas de milhares de fiéis de todo o mundo vieram a Roma. Muitos tiveram de dormir ao ar livre para assistir às canonizações dos papas João Paulo II e João XXIII. Havia uma grande multidão de católicos premida na Praça de São Pedro e outros muitos nas ruas circundantes. Para os presentes, o esforço compensava. Eles receberam uma oportunidade exclusiva de assistir à missa papal e à dupla canonização. A empreendedora Francesca Chaouqui organizou lugares exclusivos na “primeira fila” para um público seleto, no telhado de um edifício que é propriedade do Vaticano. No total, 150 pessoas receberam lugar na “linha de frente” e, especialmente, a uma distância razoável das pessoas comuns. Para a festa de 18 mil euros durante a canonização, foram oferecidas vistas panorâmicas da Praça e da Basílica de São Pedro, em um lugar tão específico que se o evento fosse realizado a partir de outro local, tais paisagens não poderiam ser contempladas da mesma forma. Todos de joelhos e sem empurrões, com direito a um buffet requintado a cargo do renomado catering service romano.

Camarotes de 18 mil euros para a canonização

Assistimos no ano passado, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, a distribuição de Hóstias consagradas em copos plásticos. O Corpo de Cristo também foi tratado indignamente no Vaticano, enquanto os cortesãos dançavam.

Um grupo ilustre reunido nos telhados do Vaticano. Entre os 150 convidados, estavam o bem conhecido ator e apresentador de televisão, Bruno Vespa; Marco Carrai, a mão direita do esquerdista e novo primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi; Maria Latella, uma colaboradora próxima de Renzi; e Ernst von Freyberg, presidente do Banco do Vaticano (IOR). O custo da festa no telhado, afinal, foi de 18 mil euros, que foram pagos por outros dois patrocinadores: uma empresa de seguro de saúde dos altos dirigentes (Assidai) e uma empresa petrolífera (Medoilgas).

Aos convidados em cima do telhado foi levada a Sagrada Comunhão. Quem o fez foi ninguém menos que Lucio Angel Vallejo Balda, secretário da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé e membro da Comissão para a reforma das estruturas administrativas (COSEA).

A colaboração entre Mons. Vallejo Balda e Francesca Chaouqui

A COSEA foi estabelecida por Francisco em julho de 2013, diretamente responsável ao papa, munida de amplos poderes. A nomeação dos oito comissários foi razão para algumas conjecturas. Na declaração papal que cria a Comissão, afirma-se que os membros da nova Comissão têm acesso “a todos os documentos, dados e informações”, e que o Banco do Vaticano (IOR) tem acesso também às folhas de balanço de qualquer autoridade ou estabelecimento do Vaticano e aos bens móveis e imóveis que a Santa Sé possui em todo o mundo. Todo segredo oficial foi revelado à Comissão.

Muitos ficaram mais confusos com a nomeação de Francesca Chaouqui. Chaouqui não é nem uma auditora nem uma consultora fiscal, o que poderia qualificá-la para a tarefa da Comissão. Em vez disso, ela é muito mais uma responsável pelas relações públicas da consultora de gestão internacional Ernst & Young, e é, portanto, “em suma, uma lobista”, segundo o especialista em Vaticano Sandro Magister.

A Comissão ainda é composta por sete leigos e clérigos. Um clérigo da Comissão, Mons. Vallejo Balda, distribuiu a Sagrada Comunhão na festa do telhado. O clérigo espanhol se aproximou do Papa Francisco logo após a sua eleição, no decorrer de encontros na Casa Santa Marta, e logo obteve uma rápida carreira. Dele foi a ideia de criar uma Comissão especial, apontando inclusive os comissariados que Francisco nomeou posteriormente. A colaboração entre Mons. Vallejo Balda e Francesca Chaouqui apresenta-se de várias formas desde a festa no telhado.

“Mistura de coisas seculares e religiosas”

Entrementes, o assunto veio à tona e “o Papa ficou indignado” quando soube da “história do telhado”, de acordo com a revista L'Espresso. O Cardeal Giuseppe Versaldi, Prefeito dos Assuntos Econômicos da Santa Sé, disse à estação de TV Italia 1: “Eu não posso anunciar o que o Papa disse. Ele foi informado, e só posso dizer que ele não está feliz, para usar um eufemismo. Mas posso garantir que tais episódios não se repetirão”.

O cardeal alegou não haver tido conhecimento prévio da festa no telhado. “Como muitos outros, eu também estou surpreso com essa mistura de coisas seculares e religiosas”. Cardeal Versaldi é – pequeno detalhe não incluído – o superior direto de Mons. Vallejo Balda. Este, por sua vez, ainda segundo a revista L'Espresso, disse: “Não estou me preocupando com o telhado. Graças a Deus, temos outros problemas”.

Chaouqui reagiu da forma habitual: “Todas as informações serão divulgadas unicamente a fim de manchar nossa imagem aos olhos do Papa”.

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* Giuseppe Nardi é o correspondente em Roma do portal de notícias alemão Katholisches.info.


Fotos da festa no telhado:



Bruno Vespa

No centro, Ernst von Freyberg, presidente do IOR

Francesca Chaouqui e Marco Carrai



O banquete dos cortesãos Reviewed by Renitência on segunda-feira, maio 26, 2014 Rating: 5
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