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Reações às canonizações de João XXIII e João Paulo II



DICI, 16 de maio de 2014
Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

Para a cerimônia de canonização de João XXIII e de João Paulo II, em Roma, foi anunciada uma multidão de 7 milhões de peregrinos, depois de 3 milhões, e finalmente eles foram 800 mil, em 27 abril de 2014.

Para mostrar que se tratava efetivamente da canonização do Vaticano II na pessoa que o convocou em 1962, a data da festa de João XXIII foi fixada em 11 de outubro, dia da abertura do Concílio, enquanto que a de João Paulo II corresponde à data da missa inaugural de seu pontificado, 22 de outubro de 1978.

Em 22 de abril de 2014, criticando severamente a última Carta aos amigos e benfeitores de Mons. Bernard Felllay, Maurice Page, editor-chefe da agência Apic, declarou: “Canonizar João XXIII e João Paulo II é canonizar o Vaticano II, escreveu Mons. Fellay. Então, só nos resta concordar com ele. O Vaticano II trouxe à Igreja romana progressos decisivos que se chamam liberdade religiosa, ecumenismo, colegialidade dos bispos, direitos humanos, reforma da liturgia, leitura dos sinais dos tempos”.

Entre os “progressos decisivos” – segundo ele – trazidos pelo Concílio, M. Page omite o diálogo inter-religioso. Mas não esquece, no entanto, do Congresso Judaico Mundial (CJM), fazendo questão de frisar, por intermédio do seu presidente Ronald Lauder, a “colaboração dos papas João XXIII e João Paulo II”, que contribuíram decisivamente para melhorar as relações entre judeus e católicos e para “superar o antissemitismo na Igreja católica”. O CJM lembra: João XXIII convocou o Concílio Vaticano II, cuja declaração Nostra Aetate serviu de base para o diálogo judaico-cristão; sobre este impulso, Israel e a Santa Sé começaram a estabelecer relações diplomáticas. João Paulo II, por sua vez, foi o primeiro papa a visitar uma sinagoga; durante o seu longo pontificado, deu origem a inúmeras iniciativas inter-religiosas e prestou uma atenção particular ao judaísmo; em 2000, pediu perdão formalmente pelos erros históricos e pelas falhas da Igreja católica durante estes dois milênios.

Defendendo-se de qualquer intrusão no domínio próprio do catolicismo, Ronald Lauder não pôde deixar de expressar sua gratidão por essa dupla canonização: “Embora a canonização desses dois homens constitui um evento interno na Igreja e não tem nada a ver com o diálogo inter-religioso, nós nos regozijamos com os milhões de católicos em Roma e em todo o mundo que celebram este evento”.

Para apreciar melhor a intenção por trás desta grande homenagem, vale a pena recordar que o Congresso Judaico Mundial representa as comunidades judaicas de cerca de 100 países em todas as partes do mundo, e que foi fundada em 1936, em Genebra, para defender em particular os interesses judaicos junto dos governantes e organizações.

Menos otimista, porque mais documentado que muitos jornalistas, o historiador Roberto de Mattei declarou, em 29 de abril, ao Catholic Family News, que lhe fez a seguinte pergunta: “Mas o senhor, o senhor sustenta que os últimos papas não são santos? – Permita-me falar sobre um papa que, como historiador, conheço melhor: João XXIII. Depois de haver estudado o Concílio Vaticano II, aprofundei-me em sua biografia e consultei as atas de seu processo de beatificação. Quando a Igreja canoniza um fiel, ela não quer apenas garantir que o falecido está na glória do Céu, mas também nos propor um modelo de virtude heroica. Dependendo do caso, pode se tratar de um religioso, de um pároco, de um pai de família etc. No caso de um papa, para ser considerado santo, ele deve haver praticado as virtudes heroicas no cumprimento de sua missão de sumo pontífice, como foi o caso, por exemplo, de São Pio V e São Pio X. No que concerne a João XXIII, nutro a convicção bem refletida de que seu pontificado representou um dano objetivo para a Igreja e que, portanto, é impossível falar de santidade para ele. Declarou-o antes de mim, em um célebre artigo publicado na Rivista di Ascetica e Mistica, alguém que é entendido em matéria de santidade, o padre dominicano Innocenzo Colosio, considerado um dos historiadores da espiritualidade mais importantes dos tempos modernos”.

Como que não fosse suficiente, menos de 15 dias depois desta dupla canonização, em 9 de maio, o papa Francisco, recebendo o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a causa dos santos, autoriza a promulgação do decreto que reconhece um milagre atribuído à intercessão de Paulo VI. E a Sala de imprensa da Santa Sé indicou a data da beatificação: 19 de outubro, na ocasião do encerramento do primeiro Sínodo dos Bispos sobre a família. Segundo a agência I.Media, o papa que conduziu o Concílio Vaticano II até o seu encerramento poderia ser canonizado no próximo ano, pois, como fez com João XXIII, o papa Francisco poderia dispensar Paulo VI de um segundo milagre e permitir sua canonização para 2015, exatamente 50 anos após o encerramento do Vaticano II.

Dadas essas canonizações rápidas, o historiador Philippe Chenaux levanta a seguinte questão em La Croix, 12 de maio: “Todos os papas do século XX serão canonizados?”; em 15 de abril, The Remnant respondia com antecedência: “Contudo, Pio XII ainda deve esperar”.
Reações às canonizações de João XXIII e João Paulo II Reviewed by Renitência on segunda-feira, maio 26, 2014 Rating: 5
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