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Face à nova doutrina que continua a arruinar a religião, permaneçamos firmes na fé



Tradução: Blog Dominus Est

As canonizações de João XXIII e João Paulo II agora já ocorreram. Conscientes da gravidade de nossa recusa formal em reconhecer a validade de tais canonizações, começamos, caros amigos e benfeitores, por arrolar uma série de interrogações legítimas e de objeções que pode nos valer esta contestação. Para responder a ela, convidamos-vos a voltar à raiz do mal: o Vaticano II tornou os caminhos da santificação inacessíveis e indecifráveis. De início, esse concílio deu muito pouco valor ao retorno à verdade católica daqueles que se extraviaram nas falsas religiões ou na irreligião, tanto que as conversões se esgotaram. Consequentemente, muito poucos numerosos são aqueles que se convertem, e menos numerosos ainda são aqueles que escalam a montanha da perfeição. Pela mesma razão, o concílio também destruiu o espírito missionário entre os católicos, fazendo-lhes perder seu zelo pela salvação das almas, a começar por aquela de sua própria alma. Assim são as asas de sua própria santificação que se encontram cortadas. Para terminar, diremos um dos motivos pelos quais o concílio se preocupou tão pouco em comunicar um verdadeiro espírito missionário: ele afirma que, de certo modo e somente pelo fato de sua pertença à humanidade, todos os homens já se encontram religados a Cristo. Basta apenas ajudá-los a se conscientizarem disso. A conscientização substituiria o papel da graça para servir de novo motor da santificação, e a nova santidade se encontraria então redefinida como sendo a plenitude dessa conscientização.

Todavia não seria razoável, depois de termos nos oposto por tanto tempo a essas canonizações, que agora déssemos um exemplo de coragem, revisando nossos julgamentos? Sendo dada a declaração, tida como infalível, pronunciada pelo papa Francisco, não estamos obrigados a aceitar a presença de seus dois predecessores no catálogo dos santos? Não deveríamos nos inspirar no exemplo de Dom Dupanloup que, depois de ter se insurgido por longos anos contra a definição do dogma da infalibilidade pontifical, se submeteu em seguida à vontade de Pio IX e à decisão do concílio Vaticano I, proclamado em 8 de julho de 1870?

Se persistirmos em nossa oposição, não vamos nos deixar levar pela lógica de uma oposição que nos afastaria inexoravelmente dos caminhos balizados do catolicismo e das autoridades da Igreja? A fossa se acentuará cada vez mais. Nosso pequeno número, alimentando queixas em relação a decisões tão unanimemente recebidas e vindas de tão alto, deveria nos fazer duvidar da legitimidade de nossas posições. Nossas objeções representam apenas nós mesmos, e é realmente paradoxal que, enquanto afirmamos ser os mais firmes defensores da infalibilidade pontifical, sejamos, ao menos na prática, os depreciadores dela. Da contestação dos documentos conciliares àquela da missa nova, da crítica do novo código de direito canônico de 1983 à do novo catecismo, não nos damos conta de que mais nada encontra graça aos nossos olhos? E agora, até a recusa dessas canonizações?

Caso mantenhamos nossa rejeição a essas canonizações, a roda conciliar continuará a girar sem nós. As missas desses dois papas já se encontram integradas no calendário litúrgico, o dia 11 de outubro para João XXIII e o dia 22 do mesmo mês para João Paulo II. Esses novos santos agora são suplicados pelos católicos do mundo inteiro como sendo poderosos intercessores que gozam certamente da eterna bem-aventurança junto do bom Deus. A doutrina e o exemplo deles têm muito mais peso sobre os cristãos de hoje porque eles são ao mesmo tempo papas e ainda contemporâneos. Como os católicos não seriam atraídos por uma santidade papal, vivida num contexto próximo de sua própria existência? Cada um sentirá o desejo de conhecer a vida desses papas para se impregnar das virtudes que eles praticaram até um grau heroico. Essa santidade que recusamos moldará os santos do século 21! Apesar de nós, o concílio Vaticano II, convocado por um papa santo e implementado por outro papa também santo será cercado por uma auréola de imenso prestígio. Que santidade! Aliás, nunca tantos santos foram canonizados quanto ao longo desses últimos séculos!

E se o mundo tiver de continuar, sem dúvida os católicos do futuro não faltarão em se inclinar com admiração sobre nossa época, que eles estimarão ter sido marcada por um fervor singular em relação àqueles que se sucederam sobre a sé de Pedro. João XXIII, João Paulo e logo Paulo VI, que será declaro bem-aventurado no mês de outubro próximo. Quem ainda poderá falar dos frutos amargos de um concílio completamente aureolado pela santidade de seus principais autores? Quem ousará duvidar de seu conteúdo? As crianças das famílias católicas, sempre sob o encanto poderoso da vida dos mais belos exemplos cristãos que lhes contarem, abrirão bem seus ouvidos quando elas ouvirem a história dessa santidade tornada tão frequente na época do concílio Vaticano II, tipo de nova era de ouro desconhecida da Igreja desde os primeiros séculos de sua história.

Todavia, eles realmente serão conquistados por essa santidade, ávidos por imitar esses santos novos, como podem sê-lo as crianças, quando elas têm a alegria de descobrir a narração da vida dos heróis cristãos dos séculos passados? Eles desejarão se aventurar sobre seus passos para serem seus partidários e seus discípulos? Se, nas prateleiras das bibliotecas familiares, as hagiografias dos santos novos não suplantarem as dos santos de outrora, seus leitores não se surpreenderão em se encontrar confrontados com contradições que opõem as razões pelas quais certos católicos dos séculos passados foram colocados sobre os altares e aquelas pelas quais esses três papas, que realizaram e difundiram o concílio, foram canonizados ou estão prestes a sê-lo hoje? Eles poderão ir e vir da vida de São Pio V à de João Paulo II ou da de São Pio X à de João XXIII sem se surpreenderem? A menos que a história não tenha sido revisada para transformar o vencedor de Lepanto em um precursor do diálogo inter-religioso e o autor da encíclica “Pascendi” em um admirador oculto de Loisy, como conciliar a santidade dos papas do passado com os do concílio? A questão não pode ser escamoteada aos olhos dos espíritos preocupados com a verdade.

Se os católicos do futuro comunicarem a perplexidade que essas contradições ocasionam neles, que respostas eles receberão? Sem dúvida lhes dirão que o tempo mudou muito, a Igreja também, e que no século 20, essa velha instituição já não se parecia mais com aquela dos séculos precedentes. Ou ainda que nessa época, justamente, ela se conscientizou de um certo número de erros cuja sua história tinha espalhado e cujas vidas dos santos distantes não estavam isentas – é por isso que ela pediu perdão à modernidade. Enfim, que existe a hermenêutica da continuidade, meio particularmente caro ao papa Bento XVI, para provar que as contradições aparentes não existem realmente. Essa teoria pretende demonstrar que os contextos históricos sucessivos vividos pela Igreja, em sua diversidade, bastam para justificar tudo o que ela pôde dizer em um tempo dado, a validade de seus propósitos devendo ser entendida como limitada a essa época. Ao contrário, a mesma hermenêutica permite legitimar, em vista de novas circunstâncias, que ideias novas, eventualmente contrárias àquelas de outrora, sejam hoje tomadas por verdadeiras.

Na realidade, essas canonizações nos constrangem a nos perguntar como os homens da Igreja consideram hoje a atividade missionária e a santidade. Ainda é preciso pregar o Evangelho sobre toda a terra? A vida sobrenatural é acessível somente aos católicos ou ela o é também através das diferentes religiões cristãs? A Igreja glorifica o diálogo inter-religioso com as demais religiões para construir a arte de viver junto sobre a terra, a promoção da justiça e da paz ou favorece a pregação do Evangelho a todas as nações? Ela está a serviço do desabrochar do homem ou da glorificação de Deus? Ela exige que seja considerado os direitos do homem como o primeiro fundamento sagrado fora do qual nenhuma virtude é possível ou o dever de se opor a esses novos repertórios das sociedades modernas? A santidade passa pela exaltação da consciência ou pela submissão às leis divinas? Existe ou não o desabrochar de um germe divino que se encontra no homem somente pelo fato de sua pertença à humanidade?

O concílio, em diferentes momentos, exprime o dever dos homens de “buscar a verdade, sobretudo no que diz respeito a Deus e à sua Igreja; e, uma vez conhecida, de abraçá-la e guardá-la” [1]. Contudo, o valor de tais recordações se encontra aniquilado, como vamos vê-lo após três exemplos, por propósitos lenitivos que confortam os homens em suas diversas respectivas opiniões religiosas.

É sobretudo na conclusão da “Gaudium et Spes” [2] que são recapituladas as vias sobre as quais o concílio convida os homens a caminhar. Esses caminhos não se parecem com os do Evangelho e do Reino dos Céus. Os Padres conciliares aí apresentam perspectivas humanistas:

“Tudo o que, tirado dos tesouros da doutrina da Igreja, é proposto por este sagrado Concílio, pretende ajudar todos os homens do nosso tempo, quer acreditem em Deus, quer não O conheçam explicitamente, a que, conhecendo mais claramente a sua vocação integral, tornem o mundo mais conforme à sublime dignidade do homem, aspirem a uma fraternidade universal mais profundamente fundada e, impelidos pelo amor, correspondam com um esforço generoso e comum às urgentes exigências da nossa era”.

Como não ficar consternado pela horizontalidade dessas considerações? Se se tratasse apenas de tornar “o mundo mais conforme à sublime dignidade do homem”, ou de aspirar “a uma fraternidade universal mais profundamente fundada” ou de responder “com um esforço generoso e comum às urgentes exigências da nossa era“, o concílio não seria necessário, e outros homens, melhor situados que os padres conciliares, teriam sido capazes de entregar essa mensagem.

Os humanistas aos quais os padres conciliares dirigem essas recomendações tiveram de considerar a assembleia conciliar com comiseração. A Igreja só tinha então tais clichês para lhes oferecer? Ela apenas se serviu, nessa circunstância, de suas próprias temáticas. Como não dar de ombros diante de um psitacismo servil? [...]

Da mesma forma, o concílio não se mostrou instado a converter aqueles que se encontravam extraviados nas falsas religiões. Ele não contém o sopro missionário que busca ganhar as almas. Além do mais, por que se converter ao catolicismo se, finalmente, as outras confissões cristãs são vias possíveis para se salvar? Ora, o concílio se opôs justamente à verdade: “Fora da Igreja não há salvação”, afirmando, a propósito dessas diversas confissões cristãs:

“As Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica” [3].

Não se trata mais do retorno dos dissidentes à fé católica. Ao contrário, o concílio fornece uma caução às diferentes confissões cristãs para atestar que elas veiculam a graça e são capazes de conduzir seus membros até à salvação eterna. Por que tornar-se católico?

Enfim, na “Nostra Aetate”, a declaração do concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs, constatamos que a preocupação com a conversão das almas deu lugar a uma visão positiva das demais religiões, muito oposta ao espírito missionário. Os muçulmanos, por exemplo, que se interessarem em saber o que o Concílio espera deles, lerão que “a Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e onipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca. Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram Jesus como profeta, e honram Maria, sua mãe virginal, à qual por vezes invocam devotamente. Esperam pelo dia do juízo, no qual Deus remunerará todos os homens, uma vez ressuscitados. Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum” [4].

Esse retrato do Islã é particularmente escandaloso. Ele está cheio de mentiras ou de omissões culpáveis. Em parte alguma está formulada a esperança – que deveria todavia ser aquela de todo católico – de que os muçulmanos abandonem o Islã para se converterem ao Catolicismo. Por que os muçulmanos, os judeus e os demais se voltariam para a Igreja católica se o concílio acha suas religiões respeitáveis, cada uma trazendo sua pedra para a construção de uma humanidade fraterna sobre a terra?

É assim que o Vaticano II assinou a perda do espírito missionário por suas visões humanistas e maçônicas, e por sua indiferença à verdade da religião católica. Esse drama atinge todos aqueles a quem a boa nova do Evangelho não é levada. Contudo, ao mesmo tempo, o mesmo se dá com todos esses católicos que não conhecem seu dever de levar a boa nova ao seu redor. Como a caridade se inflamará entre aqueles que não acreditam? E como ela poderá crescer entre aqueles que talvez acreditam, mas que ignoram seu dever de serem sobre a terra os instrumentos da evangelização e os brandões do amor divino para que as almas sejam salvas? Como nascerão as vocações missionárias se o Evangelho se tornou facultativo e se, na eterna bem-aventurança, católicos e protestantes vivem lado a lado com judeus e muçulmanos? [...]

O abandono da caridade, missionária por definição, encontra, na realidade, sua raiz na inédita e lisonjeira noção da dignidade da natureza humana, tal como parece ter sido considerada pelo concílio. É dela que foi deduzida a liberdade religiosa que consagra a laicidade dos estados. É também dela que provém um menor ardor na pregação missionária e uma mudança no próprio conceito do que é a missão. Qual é, portanto, essa dignidade da pessoa humana, tão extraordinária, que o concílio descobriu? É que todo homem, desde sua concepção, estaria, de certo modo, já religado a Cristo. Seu destino sobrenatural seria inaugurado ao mesmo tempo que sua vida humana. Com efeito, o concílio afirma como um princípio: “Por sua encarnação, Cristo se uniu de algum modo a todo homem” [8]. João Paulo II colocará esse novo princípio no centro de sua primeira encíclica, “Redemptor Hominis”. Ela é uma chave da compreensão de sua ação pontifical.

Perguntamo-nos evidentemente como tal união já santificaria os homens, antes mesmo que a graça santificante lhes fosse dada no batismo. Aparentemente, a explicação deve ser buscada na encíclica “Pascendi”, quando São Pio X expõe as ideias dos modernistas reformadores: “Pois, aqueles que podem ser denominados integralistas, pretendem que se deve mostrar ao homem que ainda não crê, como se acha latente dentro dele mesmo o gérmen que esteve na consciência de Cristo, e que Cristo transmitiu aos homens” [9], e ainda: “Todas as consciências cristãs, é assim que eles o explicam, estavam virtualmente incluídas na consciência de Cristo, como a planta na semente. Ora, como os rebentos vivem a vida da semente, assim também afirmar-se deve que todos os cristãos vivem a vida de Cristo. Mas a vida de Cristo, segundo a fé, é divina; logo também a vida dos cristãos” [10].

Nosso confrade, o padre Guy Castelain, que estudou cuidadosamente essa afirmação do concílio, sugere que “a teoria considerada por São Pio X, por meio de uma extensão não somente a todos os cristãos, mas a todos os cristãos anônimos, que são todos os homens, não seria um princípio explicativo válido que tornaria inteligível a Gaudium et Spes 22, 2? A hipótese parece confirmada pela doutrina conciliar que afirma do homem que ele ‘tem um germe depositado nele’; e que ‘a consciência é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser’ [11]. É então aí, no centro da consciência de todo homem, que ‘o germe divino está depositado’” [12].

Consequentemente, quando o concílio fala da atividade missionária, a natureza dessa última se encontra profundamente modificada. Ela existirá apenas para ajudar na conscientização, que cada um é chamado a viver, de que Cristo já é parte integrante de sua humanidade:

“Também com a própria natureza humana e suas aspirações tem íntima conexão a atividade missionária. Com efeito, ao dar a conhecer Cristo, a Igreja revela, por isso mesmo, aos homens a genuína verdade da sua condição e da sua integral vocação, pois Cristo é o princípio e o modelo da humanidade renovada e imbuída de fraterno amor, sinceridade e espírito de paz, à qual todos aspiram” [13].

O papel da Igreja consiste em dever conduzir todo homem ao conhecimento da plenitude de si mesmo, a operar a decodificação do que já se encontra nele, mas que ele não consegue ler sozinho. A Igreja deve ensinar aos homens o que o Espírito Santo colocou de divino no mais profundo deles mesmos. As trocas diversas entre os homens, o conhecimento recíproco de suas culturas, das sociedades às quais eles pertencem, de suas tradições e de suas religiões lhes permitirão descobrir “as sementes do Verbo neles adormecidas”, e que “através dum diálogo sincero e paciente, eles aprendam as riquezas que Deus liberalmente outorgou aos povos” [14].

Desde então, o olhar sobre a humanidade se encontra profundamente modificado. Se todo homem já se encontra religado a Cristo, o trabalho dos missionários, como o dos educadores, consistirá em respeitar e em seguir os caminhos interiores e misteriosos pelos quais Cristo age no fundo de toda alma. Seu papel será mais de conduzir cada um a fazer a experiência da presença de Cristo em si mesmo, de favorecer seu encontro interior com Deus, que de dar-lhe um ensinamento. É inútil insistir sobre a extrema gravidade dessa nova doutrina, que mistura a ordem natural e a ordem sobrenatural, e cujas consequências para a fé são numerosas e ruinosas. Ela se opõe à verdade revelada que nos pede para crer, ao contrário, que o homem chega nesse mundo marcado pelo pecado original, separado de Deus, e que é unicamente pelo batismo que ele receberá sua libertação, pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e se tornará o templo de Deus.

Caros amigos e benfeitores, face a esta nova doutrina que continua a arruinar a religião, permanecemos firmes na Fé – para sempre inalterável – recebida de nossos Pais. Não queremos de modo algum esse novo espírito do concílio, que não cessa de afastar mais católicos da doutrina católica e dos caminhos da santificação. Não queremos ser cobertos pelo jugo do dispositivo conciliar que sufoca ou amordaça a fé daqueles que se deixam obrigar por ele. É precisamente por ocasião dessas canonizações de João XXIII e de João Paulo II que melhor nos damos conta do amordaçamento daqueles que escolheram a via da regularização. Visto que o preço a pagar pela liberdade de confessar a fé continua a ser o de uma aparente irregularidade, não oscilamos por um instante, e preferimos permanecer como somos para não ter de nos calarmos.

“O que Deus quer é vossa santificação” [15]. Queremos, com a graça de Deus, sempre manter esse grande desejo bem animado em nossa alma. Visto que Deus nos quer santos, que alegria para nós querer a mesma coisa que Ele! Queremos isso e ansiamos por querê-lo mais, e que todas as almas se encontrem unidas nessas mesmas aspirações, tão belas e tão profundas. A vida humana, ainda que ela transcorra nesse tempo de perversão e ainda que ela esteja cheia das grandes misérias de cada um, vale mil vezes ser vivida para se santificar, para glorificar a Deus e para ir ao Céu.

Para ajudar-vos a trabalhar com coragem por esses caminhos que conduzem a Deus, fico particularmente feliz em oferecer-vos, antes de deixar o distrito, esta imagem abençoada do Coração Doloroso e Imaculado de Maria. Ela representa a Santíssima Virgem Maria tal como ela apareceu em 13 de junho de 1917 aos pastorezinhos de Fátima. Seu coração, que está cercado por espinhos, se encontra visível diante da palma de sua mão direita. Os pequenos videntes entenderam que os espinhos significavam todos os pecados dos homens que ultrajam o coração da Santíssima Virgem Maria e que pedem reparações. É por isso que a recitação do terço e nossos sacrifícios cotidianos estão no centro da mensagem de Fátima.

Nossa Senhora é fiel à sua palavra. Quanto mais confiarmos em seu coração, mais constataremos com gratidão e com amor que ele é esse único refúgio e esse único caminho para os homens de nosso tempo, e que não há outro além dele. Esperamos com grande certeza que a devoção a esse Coração produzirá os frutos de viva fé, de piedade, de fervor e de santidade cujos tanto precisamos [...].

Abbé Régis de Cacqueray, Superior do Distrito da França

Suresnes, 20 de maio de 2014

Trechos tirados da LAB n° 82, de maio de 2014

*  *  *

[1] Dignitatis humanae, 1.
[2] Gaudium et Spes, 91.
[3] Unitatis Redintegratio, 3.
[4] Nostra Aetate, 3.
[5] Rodriguez, Pratique de la perfection chrétienne, III.
[6] Saint Ignace d’Antioche, épître aux romains.
[7] Colonel Rémy, Le pourpre des martyrs.
[8] Gaudium et Spes, 22, 2.
[9] Saint Pie X, encyclique Pascendi.
[10] ibidem.
[11] Gaudium et Spes, 26.
[12] Abbé Castelain, Bref examen critique de Gaudium et Spes 22, 2.
[13] Ad Gentes, 8 .
[14] Ad Gentes, 11.
[15] 1 Th. 4, 3.
Face à nova doutrina que continua a arruinar a religião, permaneçamos firmes na fé Reviewed by Renitência on terça-feira, junho 03, 2014 Rating: 5
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