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O documento vexaminoso de Francisco


Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

Bem, aqui está. Eis a Exortação Apostólica pós-sinodal.

Eu passei várias horas analisando o documento, mas isso não foi suficiente para ler a coisa toda, com suas quase 60.000 palavras, incluindo referências e notas de rodapé.

Tenho certeza de que, ao longo dos próximos dias, você irá se deparar com análises que tentarão determinar exatamente o que o Papa está dizendo ["ele não quis dizer isso"; "houve uma interpretação equivocada" — nada além do que já estamos acostumados]. Mas o que está claro no documento papal é que Francisco não quer ser encurralado de forma alguma. Não hesito em dizer que a ambiguidade é o objetivo do Papa, e, neste sentido, o documento é um ato vergonhoso por parte do pontífice.

Nas principais passagens sobre o tema mais polêmico [sobre os divorciados recasados], o Papa insiste de tal forma, que fica clara a sua intenção de defender uma solução de foro interno, ou seja, um discernimento — caso a caso — das circunstâncias que envolvam o pastor e o adúltero. E não, ele não diz isso diretamente porque é justamente essa atitude, de ir direto ao ponto, que ele evita meticulosamente. Mas a intenção é clara: não dê ouvidos a ninguém que diga o contrário. Aqueles que buscam uma solução deste tipo irão encontrar toda a justificativa necessária nesses parágrafos. Aqueles que seguem as sugestões mal disfarçadas do Papa serão conduzidos a um sacrilégio. Um pontífice que se comporta dessa forma certamente deve nos deixar perplexos.

Nos principais parágrafos do texto (298-302), ele postula que é impossível fazer compreender a alguém a culpa pelo pecado óbvio que carrega sobre si, indicando que qualquer tipo de regra é meramente casuístico [isto é, referente à consciência]. Essas chamadas a um discernimento pastoral são um claro apelo para a solução de foro interno, mesmo que ele não diga isso explicitamente. Mas as pessoas já estão entendendo o recado:

Yahoo News: "Papa Francisco insistiu, em um importante documento lançado nesta sexta-feira, que a consciência individual deve ser o princípio orientador para os católicos que negociam as complexidades do sexo, do matrimônio e da vida familiar, repudiando a centralidade das regras intransigentes para os fiéis".

Em outra seção vergonhosa, o Papa tenta driblar a doutrina da recepção indigna da Eucaristia por divorciados recasados, fazendo deste Sacramento um come-e-bebe de juízo sobre si mesmo:

Amoris Laetitia, n. 186: "A Eucaristia exige a integração no único corpo eclesial. Quem se abeira do Corpo e do Sangue de Cristo não pode ao mesmo tempo ofender aquele mesmo Corpo, fazendo divisões e discriminações escandalosas entre os seus membros. Na realidade, trata-se de 'distinguir' o Corpo do Senhor, de O reconhecer com fé e caridade, quer nos sinais sacramentais quer na comunidade; caso contrário, come-se e bebe-se a própria condenação. Este texto bíblico é um sério aviso para as famílias que se fecham na própria comodidade e se isolam e, de modo especial, para as famílias que ficam indiferentes aos sofrimentos das famílias pobres e mais necessitadas. Assim, a celebração eucarística torna-se um apelo constante a cada um para que 'se examine a si mesmo', a fim de abrir as portas da própria família a uma maior comunhão com os descartados da sociedade e depois, sim, receber o sacramento do amor eucarístico que faz de nós um só corpo. Não se deve esquecer que 'a mística do sacramento tem um carácter social'. Quando os comungantes se mostram relutantes em deixar-se impelir a um compromisso a favor dos pobres e atribulados ou consentem diferentes formas de divisão, desprezo e injustiça, recebem indignamente a Eucaristia. Ao contrário, as famílias, que se alimentam da Eucaristia com a disposição adequada, reforçam o seu desejo de fraternidade, o seu sentido social e o seu compromisso para com os necessitados".

Essa redefinição de "distinguir o Corpo" é uma inversão escandalosa do verdadeiro significado da admoestação. Não, o Papa não vem a público negar a doutrina da Igreja sobre este tema, mas ele tenta contorná-la e distorcê-la. É vergonhoso.

Na minha opinião, este documento, como um todo, não vai melhorar a vida de ninguém, nem vai tirar ninguém da falta em que incorrem. Em seus piores pontos e em suas particularidades, servirá apenas para confirmar as pessoas em seu pecado e conduzir os sacerdotes e outros a um sacrilégio. Ninguém será salvo por esse vômito jesuítico, indigno de um sucessor de Pedro, o Vigário de Cristo, e muitas almas podem se perder por causa dele. Esse documento é um ato vergonhoso e um mal gravíssimo.

Um pastor conduz o seu rebanho para longe do perigo, mas essa Exortação Apostólica nos leva direto ao covil dos lobos. Se você ama o que Jesus nos ordenou, você vai odiar esse documento.

Aqueles que buscam um passe-livre para o sacrilégio, irão encontrá-lo em "Amoris Laetitia". O resultado de tudo isso não será nem um pouco agradável. Os que preferirem ficar com a doutrina perene da Igreja sobre essas questões, com o tempo, serão condenados ao ostracismo ou — pior ainda — pelo crime de "apastoralidade".

Que Deus nos ajude. Rezemos, rezemos, rezemos.
O documento vexaminoso de Francisco Reviewed by Editor on sexta-feira, abril 08, 2016 Rating: 5
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