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Sínodo sobre a Amazônia abordará ordenação de homens casados


Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

Lima — A reunião preparatória do Sínodo sobre a Amazônia, que terá início no próximo ano, no Vaticano, foi celebrada ontem, de surpresa, depois de uma missa com os índios, em Puerto Maldonado, logo após o Papa Francisco ter traçado a linha ecológica e o plano para salvar o ecossistema. O bispo brasileiro Erwin Kräutler [foto], que arrisca sua vida para ajudar os índios e defender a floresta amazônica da progressiva espoliação, foi um dos que sugeriram, junto com o Cardeal Hummes, que este Sínodo devesse ser destinado a refletir não apenas o ecossistema, a causa ambiental, mas também as possíveis aberturas para padres casados, consentindo assim aos viri probati — pessoas casadas e de sólida formação cristã — permissão para celebrarem missas, indo a áreas inacessíveis habitadas pelos índios, onde de outra forma ninguém iria. Na Amazônia há tão poucos sacerdotes hoje em dia que as comunidades às vezes esperam meses para poderem participar de uma missa.

[Nota do Renitência: Michael S. Rose, em seu livro "Goodbye, Good Men" (traduzido para o português como "Adeus, Homens de Deus", editora Ecclesiae, 2015), demonstra que a atual escassez de sacerdotes em todas as partes do mundo é consequência premeditada e proposital do processo de formação sacerdotal nos seminários católicos. Rose demonstra, através de relatos empíricos, que os seminaristas ortodoxos fiéis aos ensinamentos da Igreja são descartados durante o período de formação. "Muitos homens bons que aspiram a ser padres são conduzidos para fora do sistema dos seminários por recusarem curvar-se à agenda política do dia, ou afastam-se de suas vocações enojados com o seminário e desencantados com a Igreja Católica. Outros, tristemente, também sofrem com uma grande perda de fé". A queda no número de sacerdotes, conclui Rose, foi uma estratégia calculada pelos progressistas para que, futuramente, esses mesmos causadores da crise pudessem argumentar que, devido à escassez de padres, talvez seja necessário considerar a ordenação de homens casados e, até mesmo, de mulheres.]

Em uma entrevista a Il Messaggero, Dom Kräutler explicou que o objetivo principal do Sínodo é "identificar novos caminhos para a evangelização dessa porção do povo de Deus, especialmente dos índios".

Prevê aberturas?
No que se refere aos novos modos de evangelização, um dos temas que serão abordados é, sem dúvida, a vida das comunidades sem eucaristia. Na Amazônia, 70% das comunidades têm acesso à eucaristia três ou quatro vezes por ano. O Vaticano II reiterou que nenhuma comunidade cristã se edifica sem ter sua raiz ou seu centro na celebração da eucaristia. Neste contexto, acho que podemos abrir um debate sobre a exclusão de milhões de pessoas da missa dominical por causa da falta de sacerdotes. Mas não se trata de discutir o celibato em si.

Mas ele continua sendo uma regra...
A escolha do celibato é uma decisão de um homem e de uma mulher que optam livremente por esse estado de vida. O celibato tem um valor imenso quando é assumido voluntariamente. O ponto é a celebração da missa, que, de acordo com as leis atuais da Igreja, deve ser conduzida apenas por um homem celibatário.

É verdade que o senhor solicitou ao Papa Bergoglio a abolição do celibato?
Nunca pedi ao Papa uma permissão especial para ordenar homens casados. Durante a audiência privada a mim concedida pelo Papa Francisco no dia 04 de abril de 2014, falei de uma série de eventuais aberturas referentes à situação das comunidades sem a eucaristia. O Papa me disse que espera dos bispos respostas corajosas. E acho que o Sínodo sobre a Amazônia será um momento oportuno para apresentar essas propostas corajosas.
Sínodo sobre a Amazônia abordará ordenação de homens casados Reviewed by Editor on segunda-feira, janeiro 22, 2018 Rating: 5
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