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A mudança do Papa no Catecismo contradiz a lei natural e o depósito da fé

 

Tradução: Carlos Wolkartt – Renitencia.com

02 de agosto de 2018 (LifeSiteNews) – No mais ousado e imprudente movimento até hoje em um pontificado que já estava fora de controle e semeando confusão em grande escala, o Vaticano anunciou a decisão do Papa Francisco de substituir, no Catecismo da Igreja Católica, o ensino anterior por uma nova doutrina sobre a pena capital.

A Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério da Igreja por mais de 2000 anos sustentaram a legitimidade intrínseca da pena de morte para crimes graves contra o bem comum da Igreja ou do Estado. Nunca houve dúvida na mente de ninguém sobre esse assunto. Não foi um ponto de discórdia no cisma entre Oriente e Ocidente, nem na Reforma e Contrarreforma, e sequer no período do Iluminismo — em suma, era um daqueles assuntos raros em que o acordo poderia ser encontrado não apenas dentro da Igreja, mas em quase todos.

A razão é simples: de acordo com a lei natural e as Escrituras, os governantes de um Estado, atuando como representantes da justiça divina e guardiões do bem comum, podem exercer uma autoridade sobre a vida e a morte que não possuem como pessoas privadas. Em outras palavras, é Deus, sempre Deus, quem tem o direito de vida e morte, e se o Estado compartilha de Sua autoridade divina, tem, pelo menos em princípio, a autoridade para dar fim à vida de um criminoso. Que o Estado compartilha da autoridade divina é o constante ensinamento dogmático da Igreja, encontrado mais explicitamente (e repetidamente) nas encíclicas do Papa Leão XIII.

Para que não houvesse qualquer dúvida sobre esse assunto, Edward Feser e Joseph Bessette publicaram uma visão geral e abrangente do tema: By Man Shall His Blood Be Shed: A Catholic Defense of Capital Punishment (São Francisco: Ignatius Press, 2017). Neste livro contundente, Feser e Bessette apresentam os argumentos da lei natural em favor da pena capital, fornecendo um verdadeiro catálogo de citações das Escrituras, dos Padres e Doutores da Igreja, e dos Papas que sustentam sua legitimidade, construindo assim uma crítica às falácias lógicas e contradições doutrinárias — sejam elas dos bispos americanos, ou mesmo do bispo de Roma — que tentam escapar desse testemunho unânime de fé e razão.

O Catecismo da Igreja Católica, como o livro de Feser e Bessette, cita frequentemente testemunhas autoritativas da doutrina católica de um período de 2000 anos (e ainda mais, se adicionarmos referências ao Antigo Testamento). Não é de surpreender, por outro lado, que o novo texto do Catecismo imposto por Francisco cite apenas uma fonte: um discurso que o próprio Francisco fez aos participantes de uma reunião do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização em 11 de outubro de 2017. Francisco, criando doutrina ex nihilo, tem apenas a si próprio para citar.

Alguns podem dizer que Francisco não está sendo revolucionário aqui, já que o Papa João Paulo II também se opunha à pena capital. Mas há uma diferença crucial. João Paulo II nunca questionou a admissibilidade da pena de morte como tal; na realidade, ele não poderia ter feito isso, pois não há como rejeitar essa penalidade sem repudiar as fundações da Doutrina Social da Igreja. Ao invés disso, João Paulo II recomendou o favorecimento da abordagem da detenção, clemência e reabilitação. Sobre tais questões prudenciais, os católicos podem, de fato, discordar uns dos outros, apresentando vários argumentos pró e contra.

O assunto em questão não poderia ser mais grave. Se o Papa Francisco está certo, apenas uma conclusão se segue: "a Igreja estava errada em uma questão de suma importância, literalmente, de vida ou morte", como escreveu um blogueiro nesta manhã:

Se uma certa doutrina da Igreja (da possibilidade da pena de morte, pelo menos em algumas situações), afirmada pelo próprio Cristo nas Escrituras — quando, confrontado por Pilatos, que afirmou seu direito de infligir a pena de morte, disse-lhe: "Não terias qualquer poder sobre mim, se não te fosse dado de cima", estabelecendo que se trata de um poder concedido ao Estado em sua autoridade, ainda que, como todos os poderes governamentais, possa ser exercido de forma ilegítima e injusta —, pode ser alterada, então qualquer coisa pode ser alterada. Um "desenvolvimento" da doutrina pode trazer qualquer coisa: desde o fim da natureza "intrinsecamente desordenada" do homossexualismo à ordenação sacerdotal de mulheres, desde a possibilidade de contracepção em "alguns" casos à aceitação da compreensão luterana da Presença Real na Eucaristia como uma possível interpretação do que a Igreja sempre ensinou — e assim por diante.

Com esse movimento, o Papa Francisco mostrou-se abertamente herético em um ponto de suma importância, ensinando uma novidade pura e simples — "a ousadia de uma opinião pessoal se tornando um 'ensinamento' da Igreja, completamente novo e sem precedentes", como disse Rorate Caeli. "O atual Papa excedeu em muito a sua autoridade, que deveria ser usada para guardar e proteger a doutrina que foi recebida de Cristo e dos Apóstolos, não para alterá-la de acordo com suas opiniões pessoais".

Francisco pode estar apostando numa suposição — falsa, pelo menos para os Estados Unidos — de que a maioria dos católicos já é (mais ou menos) contra a pena de morte e, portanto, já se deve começar o programa oficial de "renovação" da moralidade da Igreja, sem gastar muita pena. Ele entende que, se essa mudança no Catecismo for aceita, será relativamente fácil prosseguir para as outras questões mencionadas acima: uma mudança no Catecismo sobre a homossexualidade, uma mudança nas condições de admissão à Sagrada Comunhão, uma mudança na ordenação de mulheres, e assim por diante.

Se Francisco é um herege formal — isto é, plenamente consciente de que seus ensinamentos sobre a pena de morte são contrários à doutrina católica, permanecendo, mesmo assim, na manutenção de sua posição —, é uma questão a ser adjudicada pelo Colégio dos Cardeais. Não há dúvidas, no entanto, que os bispos ortodoxos da Igreja Católica devem se opor a este erro doutrinário e se recusar a usar a edição alterada do Catecismo ou quaisquer materiais catequéticos baseados nele.

Que Santo Afonso de Ligório, padroeiro dos teólogos moralistas, cuja festa é celebrada nos dias 1º e 2 de agosto, possa interceder pelo Papa e por toda a Igreja Católica, para que o Senhor, em Sua misericórdia, acabe rapidamente com este período de caos doutrinal.
A mudança do Papa no Catecismo contradiz a lei natural e o depósito da fé Reviewed by Editor on quarta-feira, agosto 15, 2018 Rating: 5
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